O golpe do empréstimo consignado tem levado milhares de aposentados e pensionistas à Justiça em todo o país. Nos últimos três anos, quase 5 mil idosos acionaram o Poder Judiciário após terem contratos de crédito realizados de forma fraudulenta, sem autorização, em um esquema que causa prejuízos financeiros e compromete diretamente a renda de beneficiários do INSS. As denúncias se concentram principalmente nos estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo.
Segundo especialistas, criminosos utilizam dados pessoais das vítimas para contratar empréstimos em seus nomes, muitas vezes com a participação de correspondentes bancários ou por meio de fraudes digitais. Em diversos casos, os aposentados só descobrem o golpe ao perceberem descontos inesperados no benefício previdenciário ou ao encontrarem valores desconhecidos depositados em suas contas. A orientação das autoridades é que, ao identificar qualquer movimentação suspeita, o beneficiário entre imediatamente em contato com a instituição financeira, registre um boletim de ocorrência e formalize a contestação da operação.
O aumento desse tipo de fraude também tem provocado decisões favoráveis às vítimas na Justiça. Recentemente, decisões judiciais reforçaram que instituições financeiras podem ser responsabilizadas por empréstimos fraudulentos, especialmente quando envolvem idosos, considerados consumidores hipervulneráveis. O entendimento predominante é de que os bancos possuem o dever de adotar mecanismos eficazes para impedir contratações indevidas e identificar movimentações incompatíveis com o perfil do cliente.
Especialistas em defesa do consumidor alertam que aposentados e pensionistas devem desconfiar de ofertas de crédito por telefone, aplicativos de mensagens ou visitas não solicitadas. Também é recomendado acompanhar regularmente o extrato do benefício pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135, verificando a existência de descontos não autorizados. Caso seja identificada qualquer irregularidade, a recomendação é comunicar imediatamente o banco, registrar a ocorrência e buscar orientação jurídica para garantir a suspensão das cobranças e eventual reparação dos prejuízos.












