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Dia Internacional da Pessoa Com Deficiência: Presidente da ‘ADF’ relata falta de acessibilidade em Alta Floresta

Bruno Felipe / Da Reportagem

Foi comemorado ontem (03/12) o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. A data foi criada através de uma Assembleia Geral das Nações Unidas – ONU, em 14 de outubro de 1992 e tem o objetivo de informar a população sobre todos os assuntos relacionados a deficiência, seja ela física ou mental. Além disso, busca também conscientizar as pessoas sobre a importância de inserir as pessoas com deficiência em diferentes aspectos da vida social, como a política, a econômica e a cultural.

O presidente da Associação dos Deficientes Físicos (ADF) de Alta Floresta, Rodrigo de Souza, contou a nossa reportagem sobre as dificuldades enfrentadas em município. De acordo com ele, uma das maiores reclamações dos membros da associação é quanto as vagas exclusivas, onde muitas vezes acaba não sendo respeitadas por pessoas que não possuem deficiência. “A gente espera que isso mude e que as pessoas se conscientize, e possam respeitar essa lei”, disse ele.

Rodrigo ficou deficiente aos 2 anos de idade quando contraiu a ‘poliomielite’, doença popularmente conhecida como paralisia infantil. Segundo ele, de lá para cá a luta é constante, tendo enfrentado diversas barreiras, sendo que o preconceito esteve presente na maior parte de sua vida. Mesmo assim, não desistiu de seus sonhos, e quando chegou ao município em 1986 trabalhou como radialista e posteriormente foi vereador por dois mandatos. “Eu acredito que a minha trajetória tem servido de espelho para outros deficientes físicos e eu tenho orgulho disso, porque eu sempre falo que o deficiente físico tem que mostrar a cara, correr atrás de uma profissão e estudar, pois, o deficiente é um cidadão como qualquer outro cidadão”, contou ele. Fundada em 1987, a ADF conta atualmente com 86 membros ativos e foi criada com o objetivo de incentivar e integrar o deficiente à sociedade para que se sinta valorizado.

Sobre a data comemorativa, Rodrigo comentou “precisa ser lembrado, comemorado e respeitado, é um dia a mais de luta e de batalhas que a gente não pode se esquecer, temos que estar sempre nos mostrando para que as pessoas saibam que nós existimos e que estamos na luta”, concluiu ele.

Vítima da mesma doença, o funcionário público Lindomar de Oliveira também conversou com a nossa reportagem sobre a questão da acessibilidade em nosso município, segundo ele, há muito o que se fazer ainda. Um dos exemplos citados por ele é no estacionamento do Fórum, onde as calçadas são inadequadas para o trânsito de deficientes físicos e existem vários obstáculos que impedem a passagem dos mesmos. Lindomar disse que por muitas vezes é preciso andar no asfalto, sob risco de vida, devido à falta de acessibilidade na maioria das calçadas do município. Outro exemplo citado por ele é na Feira Livre onde não existem banheiros para deficientes e nem ao menos vagas exclusivas.

Lindomar contraiu a paralisia infantil em 1975, devido à falta de meios de comunicação da região onde morava, a época de tomar a vacina passou e por conta disso, contraiu a doença onde ficou paraplégico. Nesse período, ele sofreu várias fraturas em decorrência de quedas acidentais. Além disso, já adulto, ele contraiu a chamada ‘pós pólio’, doença que enfraquece os ossos e ocasiona dores, desde então, após muito tratamento, ele utiliza-se de muletas para se locomover. “Mas não é por isso que a gente vai deixar de viver e seguir a vida, você tem que tentar dar a volta por cima; minha vida enquanto pessoa com deficiência não foi fácil, eu tive que me esforçar e batalhar muito para chegar até onde cheguei, então hoje eu tenho uma estabilidade graças ao esforço e aquilo que minha família pregou que a questão o estudo, então valeu apena chegar onde cheguei”, salientou ele em entrevista para a reportagem do Jornal O Diário.

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