O Partido Liberal (PL) protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o instituto AtlasIntel, contestando a metodologia da pesquisa presidencial divulgada em 19 de maio de 2026. A legenda alega que o levantamento induziu respostas negativas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, ao incluir perguntas relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a ação apresentada ao TSE, pelo menos oito das 48 perguntas do questionário abordavam diretamente o áudio vazado de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, além das relações entre o senador e o banco investigado. Para o partido, isso teria configurado uma “propaganda eleitoral antecipada disfarçada de pesquisa”, comprometendo a neutralidade do levantamento registrado sob o número BR-06939/2026. O PL solicita uma liminar para suspender a divulgação da pesquisa e bloquear o acesso a microdados, registros de navegação e arquivos de áudio utilizados no estudo.
A pesquisa AtlasIntel, divulgada em parceria com a Bloomberg, foi a primeira de abrangência nacional realizada após a divulgação dos áudios e mensagens relacionados ao caso Master. Os resultados mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48,9% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra 41,8% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de aproximadamente sete pontos percentuais. Em comparação ao levantamento anterior, o senador teria registrado queda de cerca de seis pontos. No primeiro turno, Lula apareceu com 47%, enquanto Flávio marcou 34,3%.
O levantamento também mediu o impacto político do escândalo. Segundo a AtlasIntel, 51,7% dos entrevistados consideraram que as conversas reveladas indicam envolvimento direto de Flávio Bolsonaro no caso Master. Além disso, 45,1% afirmaram que o episódio enfraqueceu significativamente a candidatura do senador à Presidência.
Em resposta às críticas, a AtlasIntel defendeu a metodologia adotada. O instituto afirmou que o áudio foi apresentado aos entrevistados apenas depois das perguntas de intenção de voto, argumentando que a pesquisa apenas captou uma reação legítima do eleitorado diante de um fato jornalístico de grande repercussão nacional.
Aliados de Flávio Bolsonaro também questionaram o que classificam como “desequilíbrio” no levantamento. O senador Rogério Marinho e integrantes da pré-campanha afirmam que a pesquisa não mencionou uma reunião do presidente Lula com Daniel Vorcaro realizada fora da agenda oficial, o que, segundo eles, teria favorecido politicamente o atual presidente. A equipe de Flávio sustenta ainda que a ordem e a formulação das perguntas podem alterar resultados em até 20 pontos percentuais, citando literatura científica e decisões anteriores da Justiça Eleitoral.
O caso Master é investigado pela Polícia Federal e envolve suspeitas de irregularidades relacionadas a aplicações financeiras de fundos de previdência de estados e municípios. Os áudios divulgados mostram Flávio Bolsonaro solicitando recursos a Daniel Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo ganhou repercussão nacional após reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil e passou a influenciar o debate político e eleitoral em torno da disputa presidencial de 2026.
O Tribunal Superior Eleitoral deve analisar a representação nos próximos dias. Até o momento, a AtlasIntel e a Bloomberg não apresentaram novas manifestações públicas além das defesas iniciais sobre a metodologia aplicada. O episódio amplia a polarização em torno das pesquisas eleitorais e reacende discussões sobre os limites éticos e legais do uso de fatos jornalísticos em levantamentos de opinião durante o período pré-eleitoral.












