Auditorias realizadas pelo Ministério da Previdência Social em 2024 deram origem às investigações da Polícia Federal sobre investimentos considerados irregulares em regimes próprios de previdência de estados e municípios ligados ao Banco Master. Apesar disso, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que os detalhes dos levantamentos permanecerão sob sigilo para não comprometer o andamento das apurações conduzidas pela PF.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa “Bom dia, Ministro” e também em participação na comissão do Senado que acompanha o caso. Segundo Queiroz, não existem recursos de fundos de pensão fechados, supervisionados pela Previc, aplicados no Banco Master. De acordo com o ministro, o problema está concentrado nos regimes próprios de previdência mantidos por estados e municípios para pagamento de aposentadorias e benefícios de servidores públicos.
O caso envolve cifras bilionárias. Reportagens anteriores da Folha de S.Paulo apontaram que ao menos 18 entidades aplicaram entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,87 bilhão em títulos ligados ao Banco Master. Desse total, cerca de R$ 970 milhões estariam vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Eventuais prejuízos decorrentes dessas operações poderão ter de ser cobertos pelos cofres estaduais e municipais.
Entre os principais casos citados está o Rioprevidência, do Rio de Janeiro, que teria cerca de R$ 500 milhões aplicados. Outros fundos estaduais e municipais também aparecem na investigação. Em Cajamar, no interior de São Paulo, quase R$ 100 milhões foram direcionados aos títulos, o equivalente a 15,4% dos investimentos do fundo local. Já em São Roque, também em São Paulo, as aplicações chegaram a R$ 55,8 milhões, representando 10,58% da carteira. Em Aparecida de Goiânia, em Goiás, os investimentos somaram R$ 42,3 milhões.
O ministro afirmou que, após a identificação das irregularidades, o Ministério da Previdência realizou auditorias em diversas cidades e encaminhou os dados à Polícia Federal, servindo de base para as operações em andamento. No entanto, ele disse que não pode divulgar nomes de outros municípios investigados nem detalhes técnicos dos relatórios, já que as informações foram classificadas pela PF como sensíveis e protegidas por sigilo.
Durante a audiência no Senado, Wolney Queiroz também destacou ações da pasta no combate a fraudes no INSS. Segundo ele, desde o início de sua gestão foram realizadas mais de 63 operações, com potencial de ressarcimento de aproximadamente R$ 350 milhões aos cofres públicos.
A repercussão do caso levou o governo federal a endurecer as regras para investimentos dos regimes próprios de previdência. Em dezembro de 2025, o Conselho Monetário Nacional aprovou uma resolução que impõe limites de exposição a um mesmo emissor, exige melhores níveis de governança e restringe aplicações de maior risco para entidades sem controles mínimos adequados. Na prática, fundos com menor estrutura passam a ter foco quase exclusivo em títulos públicos.
O escândalo ganhou força no Congresso Nacional após parlamentares apontarem semelhanças entre documentos técnicos usados para autorizar investimentos e materiais publicitários do Banco Master. A comissão do Senado busca ampliar a transparência sobre as auditorias realizadas em 2024 e 2025, enquanto a Polícia Federal segue aprofundando as investigações. O Ministério da Previdência mantém a posição de preservar o sigilo das informações até o avanço das operações policiais e dos trabalhos legislativos.
Texto produzido a partir de informações da Folha de São Paulo.













