Lindbergh vai ao STF para exigir CPMI do Banco Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obrigar a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. O mandado de segurança foi protocolado na última sexta-feira, 16 de maio de 2026, contra a Presidência do Congresso Nacional.

Na ação, Lindbergh acusa o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de omissão por não realizar a leitura do requerimento de criação da CPMI, apesar de o pedido já contar com o número mínimo de assinaturas exigido pela Constituição. Segundo o parlamentar, o adiamento da instalação da comissão estaria sendo utilizado como instrumento de negociação política dentro do Congresso Nacional.

De acordo com a petição apresentada ao STF, a comissão teria sido transformada em “moeda de troca” em discussões envolvendo temas estratégicos no Legislativo, como a sabatina de Jorge Messias, então advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, além da votação do veto ao chamado PL da Dosimetria. Lindbergh sustenta que o chamado “poder de agenda” da Presidência do Congresso não pode ser utilizado para impedir investigações parlamentares solicitadas por minorias.

O deputado argumenta ainda que a ausência da leitura do requerimento configura abuso de poder, desvio de finalidade e violação direta da Constituição Federal. Na ação, ele solicita uma liminar para que o STF determine a leitura imediata do pedido de CPMI em sessão conjunta do Congresso no prazo de 48 horas. Caso isso não ocorra, Lindbergh pede que a instalação da comissão seja considerada automática.

A CPMI proposta pretende investigar suspeitas de fraudes bancárias, operações financeiras irregulares, relações com fundos públicos e previdenciários, além de possíveis conexões políticas envolvendo o Banco Master. O tema ganhou ainda mais repercussão após o avanço da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, e a divulgação de documentos e mensagens que relacionariam Daniel Vorcaro a figuras políticas de destaque.

Entre os episódios recentes que ampliaram a pressão pela investigação estão vazamentos de conversas envolvendo Vorcaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, relacionados a um suposto financiamento de produção cinematográfica. O caso intensificou disputas políticas em torno da criação da comissão e ampliou o interesse tanto da oposição quanto de setores governistas pela investigação parlamentar.

Atualmente, existem diferentes pedidos de CPI e CPMI sobre o Banco Master em tramitação no Congresso. Um deles é articulado principalmente por parlamentares da oposição, com forte participação de integrantes do PL e aliados bolsonaristas. Outro foi apresentado pelo próprio Lindbergh Farias e conta com apoio de parte da base governista, incluindo dezenas de deputados do PT. Inicialmente, setores petistas resistiram às propostas defendidas pela oposição, alegando possível uso político das investigações, mas o cenário mudou com os novos desdobramentos do caso.

Lindbergh também apresentou recentemente um novo requerimento de CPMI e chegou a desafiar publicamente o senador Flávio Bolsonaro a apoiar formalmente a criação da comissão. “Você não disse que quer CPI? Assine!”, declarou o parlamentar em manifestação divulgada nas redes sociais.

Até a atualização desta terça-feira, 19 de maio de 2026, o Supremo Tribunal Federal ainda não havia se manifestado sobre o mandado de segurança apresentado por Lindbergh Farias. A Presidência do Congresso Nacional também não divulgou posicionamento oficial sobre a nova ação judicial. Enquanto isso, a pressão política por uma investigação parlamentar sobre o Banco Master segue crescendo diante dos avanços das apurações da Polícia Federal e dos possíveis impactos políticos do caso.

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