Tenente é expulsa dos Bombeiros por esquema de propina em MT

O Governo de Mato Grosso oficializou a expulsão da 1ª tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Yara Corrêa dos Santos, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que a considerou “indigna do oficialato”. A medida consta no Ato nº 1.007/2026, publicado no Diário Oficial do Estado (Iomat) nesta segunda-feira (18), e foi assinada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e pelo comandante-geral do CBMMT, Flávio Fledson Vieira.

Com a decisão, a militar perde o posto, a patente e o vínculo definitivo com a corporação, sem direito a remuneração ou indenização. A exclusão ocorre após condenação na 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, em Cuiabá, a 5 anos, 7 meses e 22 dias de prisão em regime semiaberto pelos crimes de corrupção passiva e abuso de confiança ou boa-fé, cometidos de forma continuada. A sentença foi proferida em novembro de 2025 pelo juiz Moacir Rogério Tortato.

Segundo investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Yara atuava como analista de projetos de segurança contra incêndio e pânico (PSCIP) e utilizava a função para favorecer empresários mediante pagamento de vantagens indevidas. Conforme os autos, os repasses eram feitos por meio da empresa Simplifica Design e Projetos, pertencente a Fernanda Gianelli Rocha, com transferências diretas e indiretas para a militar, incluindo depósitos realizados em contas da ex-esposa dela, Natallyn Austine Alves Martins, e também de Natália Creppe, ligada à empresa.

Um dos principais casos citados na investigação envolve o Malai Manso Resort S.A., empreendimento localizado em Chapada dos Guimarães e ligado à família Maggi. O projeto, de aproximadamente 56 mil metros quadrados, foi protocolado em 28 de outubro de 2020 e aprovado em apenas 13 dias, mesmo apresentando 39 irregularidades técnicas apontadas pelos investigadores. As apurações indicam que transferências financeiras da Simplifica coincidiram com as etapas de análise e aprovação do empreendimento.

Além do resort, outros empreendimentos teriam sido beneficiados com aprovações consideradas irregulares e em prazos reduzidos. Entre eles estão a Dihol Distribuidora Hospitalar Ltda., aprovada em 16 dias; a Confiança Agência de Passagens e Turismo Ltda., liberada em 21 dias com dispensa irregular de hidrantes; a V. Conceição & Cia Ltda. (Realmat), aprovada em 18 dias sem sistema adequado de chuveiros automáticos; e a Camil Cáceres Mineração Ltda., cuja aprovação ocorreu apenas quatro dias após correções no projeto.

A Justiça apontou que o esquema movimentou mais de R$ 24 mil em vantagens indevidas. Durante o interrogatório, Yara Corrêa dos Santos negou ter recebido propina e afirmou que os valores depositados eram referentes ao pagamento de dívidas pessoais de Natália Creppe, sobrinha de seu ex-marido, relacionadas a despesas como autoescola, faculdade e alimentação. A versão, porém, foi rejeitada pela Justiça Militar.

O caso também passou por Conselho de Justificação instaurado em 2023 para avaliar a permanência da oficial na corporação. Após o trânsito em julgado da condenação penal e a decisão do TJMT pela perda do oficialato, o Governo do Estado formalizou a exclusão definitiva da militar do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso.

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