Cemaden alerta para risco de El Niño intenso em 2026

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu uma nota técnica ao governo federal alertando para a possibilidade de formação de um El Niño forte ao longo de 2026. O documento, encaminhado à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e divulgado nesta quarta-feira, 20 de maio, aponta uma convergência de modelos climáticos internacionais indicando aquecimento significativo das águas do Oceano Pacífico equatorial nos próximos meses.

Segundo o Cemaden, projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), da agência americana NOAA e do serviço meteorológico da Austrália indicam elevada probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho de 2026. A NOAA estima em 82% a chance de formação do El Niño nesse período, enquanto a possibilidade de persistência até o verão de 2027 chega a 96%. Algumas simulações climáticas apontam anomalias próximas de 3°C na região conhecida como Niño 3.4, patamar associado aos episódios mais intensos já registrados na história moderna.

Apesar dos sinais observados pelos modelos climáticos, os pesquisadores ressaltam que ainda existe elevado grau de incerteza nas projeções de longo prazo. O Cemaden destacou a chamada “barreira de previsibilidade” entre março e maio, período em que os sinais oceânicos e atmosféricos costumam apresentar maior instabilidade e dificultam previsões definitivas. O órgão afirmou que nenhuma categoria de intensidade do fenômeno (fraco, moderado, forte ou muito forte) ultrapassa 37% de probabilidade individual, impedindo que qualquer cenário seja tratado como dominante neste momento.

A nota técnica também faz um alerta contra interpretações exageradas sobre possíveis impactos climáticos extremos. Segundo o Cemaden, algumas reportagens recentes que projetam secas severas ou chuvas catastróficas ainda não possuem sustentação científica suficiente. O órgão reforça que o documento deve ser interpretado como ferramenta de monitoramento e preparação preventiva, e não como uma previsão determinística de desastres específicos.

Caso o fenômeno se confirme, os efeitos esperados para o Brasil devem seguir padrões semelhantes aos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024. Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, aumento das temperaturas e agravamento das condições de seca, elevando o risco de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal. Já no Sul do país, a expectativa é de maior frequência de chuvas intensas e persistentes, especialmente entre a primavera e o verão.

O Rio Grande do Sul aparece como o estado com maior sinal de risco hidrológico, segundo o Cemaden. A nota aponta possibilidade ampliada de enchentes, inundações, enxurradas e deslizamentos de terra, principalmente na Serra Gaúcha, no Planalto Meridional e na região metropolitana de Porto Alegre. Santa Catarina e Paraná também apresentam risco elevado, embora com maior variabilidade nos cenários climáticos projetados.

O documento ainda destaca tendência de aumento das ondas de calor em todo o território nacional, efeito potencializado pelo aquecimento global. O Cemaden lembra que o fenômeno El Niño integra o ciclo ENOS, responsável por alterar padrões globais de temperatura e precipitação, e que seus impactos podem ser agravados pelo cenário atual de mudanças climáticas.

Diante das projeções, o órgão recomenda intensificação do monitoramento climático e adoção de medidas preventivas por governos estaduais, municipais e órgãos de defesa civil. A expectativa é que as previsões ganhem maior precisão a partir de junho, quando o acoplamento entre oceano e atmosfera se tornar mais evidente. Até lá, o governo federal e os estados devem acompanhar os próximos boletins da NOAA e do próprio Cemaden para definição de estratégias de prevenção e resposta a possíveis desastres naturais.

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