Uma reportagem exibida pelo Fantástico no dia 19 de abril de 2026 revelou cenas que parecem improváveis, mas foram registradas oficialmente: policiais militares de São Paulo utilizando estilingues com bolas de gude para atingir civis. O material, exibido em rede nacional, faz parte de uma investigação mais ampla sobre fraudes em gravações de câmeras corporais e episódios de violência envolvendo agentes da corporação.
Um dos casos mais emblemáticos apresentados é o do terceiro-sargento Bruno Gonzaga Alves, que, em 16 de outubro de 2022, na Zona Norte de São Paulo, disparou projéteis contra pedestres e motociclistas. Segundo a corregedoria, foram registradas 80 “estilingadas” em uma única noite. As imagens vieram das próprias câmeras corporais dos policiais, criadas justamente para garantir transparência nas ações.
Os áudios captados reforçam a gravidade da situação. Em um dos trechos exibidos, é possível ouvir a frase: “Eu vou bater com gosto! Dá pra escolher!”, indicando intenção deliberada nas agressões. O uso do estilingue, apesar de não envolver arma de fogo, causava dor e possíveis lesões, sendo tratado como conduta abusiva dentro da investigação.
A reportagem também revelou um problema estrutural: a manipulação das chamadas body cams. De acordo com o Fantástico, policiais utilizavam o “modo recall” para gravar sem áudio ou com baixa qualidade, o que dificultava a apuração de irregularidades e, em alguns casos, configurava fraude processual. As imagens mostraram como esse recurso era acionado estrategicamente para ocultar abusos.
Como consequência, ao menos um policial foi condenado e expulso da corporação. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Corregedoria da PM foram acionadas para aprofundar as investigações. O caso levanta questionamentos sobre a eficácia das câmeras corporais: ao mesmo tempo em que ampliam a transparência, também expõem falhas no controle interno.
Após a exibição, o conteúdo viralizou nas redes sociais, ultrapassando 330 mil visualizações em poucas horas e gerando debates intensos sobre abuso de autoridade, fiscalização policial e o papel das tecnologias de monitoramento. A reportagem integra uma série do Fantástico que discute o uso (e o mau uso) das câmeras corporais, ampliando a discussão em nível nacional sobre segurança pública e responsabilidade institucional.












