Um esquema de corrupção envolvendo a concessão da rodovia MT-130, em Mato Grosso, finalmente avançou para a Justiça após mais de uma década. No dia 15 de abril de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, receber parcialmente a denúncia contra o ex-governador Silval Barbosa (MDB) e o deputado estadual Ondanir “Nininho” Bortolini (Republicanos), marcando o início formal da ação penal. O caso gira em torno do pagamento de R$ 7 milhões em propina para agilizar a assinatura do contrato de concessão ainda em 2011.
De acordo com o Ministério Público Federal, o esquema teve origem durante o governo de Silval Barbosa, quando a concessionária Morro da Mesa buscava viabilizar a concessão da MT-130. A investigação aponta que houve um pedido explícito de “ajuda” financeira para quitar dívidas pessoais do então governador em troca de celeridade no processo. Nininho teria atuado como intermediário, articulando e viabilizando o pagamento milionário. O caso só veio à tona anos depois, a partir da delação premiada feita por Silval em 2017.
A decisão do STJ, relatada pelo ministro Benedito Gonçalves, aceitou as acusações de corrupção passiva, no caso de Silval, e corrupção ativa, atribuída a Nininho. Já a acusação de lavagem de dinheiro foi rejeitada por falta de provas. Com isso, ambos passam à condição de réus, e o processo deixa a fase de investigação para entrar na etapa de instrução, que inclui coleta de provas, depoimentos e eventual julgamento. O caso tramita sob sigilo, e o recebimento da denúncia não implica condenação, mas indica que há indícios suficientes para o prosseguimento da ação.
No campo político, o episódio reforça o histórico de escândalos envolvendo o ex-governador, que já acumula condenações e acordos de colaboração relacionados a esquemas de corrupção durante seu mandato entre 2010 e 2014. Por outro lado, Nininho segue em atividade como deputado estadual em Mato Grosso, o que amplia a repercussão do caso no cenário atual. A situação também reacende discussões sobre a relação entre poder público e contratos de infraestrutura no estado.
Do ponto de vista econômico e de interesse público, a MT-130 é considerada uma rodovia estratégica, cuja concessão envolvia a transferência de gestão para a iniciativa privada com contrapartidas do Estado. A suposta cobrança de propina para destravar o contrato representa, segundo a acusação, um desvio de finalidade, prejudicando a transparência e a concorrência em um setor que movimenta grandes volumes de recursos.
O caso se insere em um contexto mais amplo de corrupção em obras de infraestrutura no Brasil, frequentemente associado a grandes investigações como a Operação Lava Jato e o chamado “Mensalão”. Em Mato Grosso, a combinação de investimentos elevados em rodovias e forte influência política local tem sido apontada como fator de risco para esse tipo de prática. Agora, após 15 anos, o processo avança para uma fase decisiva, que deve definir a responsabilidade dos envolvidos e seus desdobramentos judiciais.












