Casas de repouso entram em crise em SP após fechamento e disputa política
A situação das casas de repouso para idosos na região da Lapa, em São Paulo, ganhou repercussão nacional após uma série de interdições, cassações de alvarás e pressões de moradores que contestam a presença dessas instituições em área residencial. O caso envolve cerca de 40 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), que estão sendo alvo de medidas administrativas e judiciais por parte da Prefeitura de São Paulo.
O conflito se intensificou após ações da gestão do prefeito Ricardo Nunes, que vem aplicando multas e cancelando licenças de funcionamento de unidades consideradas irregulares em relação ao zoneamento urbano. Segundo a administração municipal, as casas de repouso estariam operando fora das regras estabelecidas para zonas estritamente residenciais, o que motivou fiscalizações e sanções.
Ao mesmo tempo, moradores da região conhecida como City Lapa organizam movimentos para a retirada das instituições, alegando incômodos como barulho, circulação de ambulâncias e impactos na valorização dos imóveis. Em alguns casos, o conflito entre vizinhos e responsáveis pelas casas de repouso chegou a registrar vídeos, denúncias e até boletins de ocorrência.
Do outro lado, as entidades que administram as ILPIs afirmam que receberam autorização inicial do próprio poder público para funcionar e defendem que atuam dentro da legalidade como moradias coletivas para idosos. Elas também criticam a falta de uma política pública mais ampla de acolhimento, em um cenário de envelhecimento da população e alta demanda por serviços de longa permanência.
No meio da disputa, o caso chegou ao governo federal, com questionamentos sobre a rede de assistência social e o destino dos idosos afetados por eventuais fechamentos. Parlamentares cobram informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social sobre a capacidade do sistema de acolhimento e possíveis medidas de transição para evitar desassistência.












