Imagine um garoto de 14 anos, ainda lidando com as inseguranças da adolescência, sendo obrigado a tirar toda a roupa diante de duas adultas que deveriam protegê-lo. Essa não é uma cena de filme ruim. Aconteceu dentro de uma escola estadual de Santo André, na Escola Ordânia Janone Crespo.
Acusado de portar um vape, o adolescente foi interceptado a caminho do banheiro, levado à sala da direção e mandado se despir completamente. Nada foi encontrado. Envergonhado, ele tentou cobrir o corpo com as mãos, mas foi impedido. Teve que virar de costas. Um ato que, para qualquer pessoa, já seria humilhante. Para um menino nessa idade, pode deixar marcas profundas.
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo não contemporizou. Diretora e vice-diretora foram imediatamente desligadas dos cargos. Uma apuração foi aberta e o caso segue na Polícia Civil. A pasta ainda ofereceu apoio psicológico ao estudante e à família, o mínimo que se espera diante de tamanha violação.
As gestoras, em boletim de ocorrência, dizem que o problema de vapes na escola é recorrente e que as abordagens foram apenas “verbais e pedagógicas”. A versão da família e do aluno conta uma história bem diferente: uma revista invasiva e degradante.












