Flávio Bolsonaro nomeia dois assessores para gabinete enquanto permanece nos EUA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nomeou dois novos assessores parlamentares para seu gabinete no Senado Federal enquanto permanece nos Estados Unidos, para onde viajou em 27 de outubro de 2026. As nomeações foram oficializadas em novembro e incluem Fabiano Augusto de Souza Araújo e Maria Carolina Albuquerque e Silva, que passaram a ocupar, respectivamente, os cargos de auxiliar parlamentar pleno e auxiliar parlamentar sênior. As informações foram divulgadas pelo Times Brasil | CNBC e confirmadas por registros de transparência do Senado.

Fabiano Augusto de Souza Araújo já havia trabalhado no gabinete do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, na Câmara dos Deputados. Ele foi contratado para a função de auxiliar parlamentar pleno, com remuneração mensal informada de R$ 7.642,84. Maria Carolina Albuquerque e Silva, por sua vez, retornou ao gabinete do senador após ter deixado o cargo em junho para trabalhar na campanha presidencial de Flávio. Ela ocupa a função de auxiliar parlamentar sênior, com remuneração mensal de R$ 9.203,20.

A movimentação ocorreu depois que Flávio deixou o Brasil, em 27 de outubro, e seguiu para os Estados Unidos com a família. A viagem aconteceu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador e proibiu sua saída do território nacional. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado e empresário Willer Tomaz. Ambos são investigados e negam irregularidades.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal em 28 de outubro, o senador atravessou a fronteira com a Argentina e, posteriormente, embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos. A corporação informou que não encontrou registros oficiais de passagem do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros e que investigava as circunstâncias da saída. Na ocasião, a PF também esclareceu que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza alguém como foragido nem autoriza automaticamente a prisão.

A permanência de Flávio no exterior também provocou questionamentos sobre o exercício de suas funções parlamentares. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou questionamentos à Mesa Diretora do Senado sobre a ausência de comunicação oficial da viagem e a participação do parlamentar em votações. Em 3 de novembro, Flávio registrou presença remotamente e participou da votação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, em uma sessão realizada no formato semipresencial.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que os questionamentos seriam analisados pela Mesa Diretora. A Secretaria-Geral da Mesa, conforme informações divulgadas pela imprensa, considera que o mandato do senador continua em vigor e que não existe, até o momento, decisão judicial ou procedimento de perda de mandato que impeça o exercício de suas funções. As regras do Senado, entretanto, estabelecem obrigações relacionadas à comunicação de viagens ao exterior e à participação nas atividades legislativas.

A Constituição Federal prevê, no artigo 55, inciso III, a possibilidade de perda do mandato parlamentar quando o senador deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias, salvo licença ou missão autorizada. Isso significa que uma eventual perda do mandato por excesso de faltas depende da verificação dos requisitos constitucionais e não decorre automaticamente da permanência do parlamentar fora do Brasil.

Enquanto isso, o cadastro oficial de transparência do Senado já relaciona Fabiano Augusto de Souza Araújo e Maria Carolina Albuquerque e Silva entre os integrantes do gabinete de Flávio Bolsonaro em 2026. O registro confirma a composição funcional da equipe, embora a situação política e judicial envolvendo a viagem do senador continue sendo acompanhada pelas autoridades e pelo Congresso Nacional.

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