TSE desmente boato sobre 8 milhões de votos sem biometria após as 17h

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | Sérgio Lima/Poder360 25.nov.2020

É falsa a informação que circulou nas redes sociais afirmando que aproximadamente 8 milhões de pessoas teriam votado sem identificação biométrica depois das 17h no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A alegação foi desmentida pela Justiça Eleitoral, que esclareceu que os números utilizados nas publicações misturam dados diferentes e não representam votos registrados após o encerramento regular da votação. O material apresentado como relatório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não foi produzido oficialmente pela instituição e distorce informações do processo eleitoral.

O número de aproximadamente 8,6 milhões corresponde a eleitores que foram autorizados a votar sem reconhecimento biométrico durante todo o segundo turno, realizado em 25 de outubro de 2026. Isso não significa que essas pessoas tenham votado sem apresentar identificação ou que tenham comparecido às urnas depois das 17h. A legislação eleitoral permite que cidadãos sem biometria cadastrada ou com dificuldades no reconhecimento das digitais sejam identificados por procedimentos alternativos de segurança.

De acordo com as orientações do TSE, quando a impressão digital não é reconhecida, o procedimento pode ser repetido por até quatro vezes. Persistindo a falha, o mesário realiza verificações adicionais, solicita a confirmação do ano de nascimento e confere os dados com o cadastro eleitoral. O eleitor também precisa apresentar documento oficial com fotografia. Quando a identidade é confirmada, a votação pode ser autorizada, com registro da identificação do mesário responsável pela liberação da urna.

Os dados oficiais mostram que 34.393 votos foram efetivamente registrados depois das 17h em todo o país durante o segundo turno. Desse total, 32.399 foram computados entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h. Os números são muito inferiores aos milhões mencionados nas publicações que tentaram associar a ausência de reconhecimento biométrico à realização de votos fora do horário regular.

A votação foi prorrogada após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), diante de dificuldades de transporte relatadas pelas duas candidaturas presidenciais. A autorização permitiu que as seções eleitorais que ainda estavam funcionando às 17h continuassem recebendo eleitores até as 19h. A medida não permitiu o ingresso de pessoas que chegaram depois do encerramento regular da votação. Quem já estava na fila recebeu senha e teve garantido o direito de votar.

O levantamento da Justiça Eleitoral também identificou que 473.065 seções concluíram os procedimentos até as 17h10, enquanto outras 24.268 permaneceram abertas depois desse horário. Nessas seções, foram registrados 8.673 votos após as 17h. A diferença entre esse número e o total de 34.393 está relacionada ao universo de seções considerado em cada levantamento e aos respectivos critérios de contabilização.

Outro ponto esclarecido pelo TSE diz respeito à divulgação dos resultados. Durante a prorrogação da votação, a totalização e a divulgação dos boletins foram temporariamente suspensas. Com a retomada dos procedimentos, os boletins processados apresentaram os resultados completos de suas respectivas seções, incluindo votos registrados antes das 17h. Por isso, a entrada de novos resultados no sistema depois das 19h não significa que todos aqueles votos tenham sido depositados naquele horário.

A Justiça Eleitoral também esclareceu que os procedimentos de identificação deixam registros que permitem fiscalizar eventuais irregularidades. Os boletins de urna são impressos ao final dos trabalhos e disponibilizados para consulta pública, permitindo que partidos políticos, fiscais e cidadãos confiram os resultados de cada seção. Além disso, o Registro Digital do Voto preserva o sigilo da escolha do eleitor, impedindo que sua identidade seja associada ao candidato em quem votou.

A alegação de que os números comprovariam uma vitória diferente na disputa presidencial também não encontra sustentação nos dados oficiais. O levantamento do TSE registrou 64.256.232 votos para Luiz Inácio Lula da Silva e 59.826.041 para Flávio Bolsonaro, uma diferença de 4.430.191 votos. Os 34.393 votos registrados após as 17h não alterariam o resultado da eleição, mesmo que fossem considerados isoladamente.

Com isso, a checagem confirma que a informação sobre 8 milhões de votos sem biometria depois das 17h é falsa. O número divulgado nas redes sociais foi retirado de um levantamento sobre liberações sem reconhecimento digital realizadas durante todo o dia e apresentado fora de seu contexto. Não há comprovação de votação clandestina, ausência generalizada de identificação ou fraude eleitoral relacionada aos dados apresentados.

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