Malafaia chama filhos de Bolsonaro de “jumentos” após carta de Flávio

O pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, criticou duramente os filhos do ex-chefe do Executivo após a divulgação de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na qual ele se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Em mensagens privadas enviadas a aliados pelo WhatsApp na quarta-feira (28 de outubro de 2026), Malafaia classificou os filhos de Bolsonaro como “jumentos” e “amadores babacas”, demonstrando insatisfação com a condução política e a comunicação adotadas pelo grupo.

“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu o pastor. Na mesma conversa, ele também afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria retirado o apoio a Flávio. “Deixei ele vir para a América, mas não me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”, acrescentou. As mensagens foram inicialmente divulgadas pelo jornal O Globo, por meio da coluna da jornalista Malu Gaspar, e posteriormente confirmadas pelo UOL.

A reação de Malafaia ocorreu depois que Flávio Bolsonaro divulgou, nos Estados Unidos, um documento dirigido aos brasileiros e à comunidade internacional. Na primeira versão, o senador se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, questionando o resultado das eleições presidenciais e levantando suspeitas de irregularidades sem apresentar provas que sustentassem as acusações. Após a repercussão negativa, o parlamentar publicou uma versão modificada, substituindo a expressão por “líder do Brasil”. As demais críticas ao processo eleitoral foram mantidas.

A divulgação da carta provocou questionamentos também entre integrantes do próprio campo político bolsonarista. Segundo informações publicadas pela imprensa, aliados discutiram os riscos de insistir em questionamentos sobre o resultado das urnas e avaliaram possíveis consequências políticas para o Partido Liberal. A preocupação envolvia especialmente a possibilidade de novas iniciativas contra o processo eleitoral produzirem desgaste para a legenda, que já havia sido multada em R$ 22,9 milhões pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, após contestar o resultado daquele pleito sem apresentar provas suficientes.

Em 30 de outubro, Malafaia voltou ao assunto e confirmou que as mensagens eram verdadeiras. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que havia participado de uma conversa reservada pelo WhatsApp e que o conteúdo acabou sendo repassado por alguém em quem confiava. “Eu confiei em alguém, confiei errado. E a pessoa vazou para outra pessoa”, declarou. O pastor demonstrou insatisfação com a divulgação da conversa e ressaltou que não havia enviado as mensagens com a intenção de torná-las públicas.

Apesar das críticas à carta, Malafaia procurou diferenciar sua discordância sobre a estratégia de comunicação da avaliação que faz da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. O religioso voltou a defender a saída do senador do Brasil e afirmou que ele seria alvo de perseguição política. A posição indica que, embora tenha demonstrado irritação com a atuação dos filhos do ex-presidente, o pastor não anunciou rompimento com o grupo político.

A relação entre Malafaia e a família Bolsonaro já havia registrado outros episódios de tensão. Em 2025, mensagens e gravações reveladas pela Polícia Federal mostraram que o pastor também havia feito críticas ao deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, utilizando expressões ofensivas para questionar suas manifestações políticas. Na ocasião, Malafaia demonstrou preocupação com declarações que, em sua avaliação, poderiam prejudicar a estratégia política do grupo.

O episódio mais recente expõe divergências sobre a maneira como a oposição deve se posicionar após o resultado eleitoral e sobre os limites das iniciativas adotadas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. A manifestação de Malafaia ganhou repercussão justamente por partir de um aliado histórico da família. Até 31 de outubro, entretanto, não havia anúncio de rompimento definitivo entre o pastor e os integrantes do grupo Bolsonaro, e Malafaia continuava defendendo publicamente a viagem do senador.

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