O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende disputar novamente a Presidência da República e que uma nova eleição poderá ocorrer antes de 2030. A declaração foi feita na noite de sexta-feira (30 de outubro de 2026), durante sua primeira transmissão ao vivo nas redes sociais desde que deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, o parlamentar afirmou que pretende continuar exercendo liderança política junto à oposição, mesmo estando fora do país.
Durante a transmissão, Flávio disse que a votação recebida nas eleições aumentou sua disposição para continuar na disputa política nacional. “Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo”, declarou. Em seguida, reforçou sua intenção de antecipar uma eventual candidatura: “Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”. O senador também agradeceu aos apoiadores e afirmou que pretende manter a mobilização de seus eleitores.
Um dos principais argumentos apresentados por Flávio para justificar a possibilidade de uma nova eleição foi a situação econômica do país. Na avaliação do senador, o governo Lula poderá enfrentar dificuldades para cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral, especialmente diante das condições das contas públicas. Ele afirmou que o cenário econômico seria ainda mais preocupante do que o enfrentado durante o governo Dilma Rousseff, em 2014 e 2015. “Se ele fizer aquilo que prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido”, declarou. Flávio também disse acreditar que o desgaste econômico poderá provocar a saída antecipada do atual presidente da República.
Na mesma transmissão, o parlamentar anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a Presidência do Senado Federal em 2027. Flávio afirmou que pretende mobilizar os eleitores da oposição para pressionar os integrantes da Casa a apoiarem o nome de Marinho. Segundo ele, o comando do Senado será estratégico para organizar a resistência política ao próximo governo. A movimentação ocorre em meio às articulações para a escolha da nova Mesa Diretora, disputa que também envolve o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Flávio Bolsonaro também criticou possíveis negociações políticas que envolvam a situação jurídica de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao comentar as articulações para a eleição do comando do Senado, rejeitou qualquer acordo que utilize a liberdade do ex-presidente como moeda de troca. “Essas tentativas de negociação usando como moeda de troca a liberdade do presidente Bolsonaro são nojentas”, afirmou. O senador defendeu que a oposição mantenha sua atuação independente nas negociações parlamentares.
Outro assunto abordado durante a transmissão foi a saída do parlamentar do território brasileiro. Flávio relatou que decidiu viajar para os Estados Unidos depois de visitar o pai, em Brasília, na segunda-feira (26 de outubro). Segundo sua versão, ao deixar a residência de Jair Bolsonaro, foi informado por agentes da Polícia Federal sobre uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada à apreensão de seus passaportes e à proibição de deixar o país. O senador afirmou que a situação influenciou sua decisão de viajar e declarou que pretende continuar atuando politicamente do exterior.
O parlamentar também voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais e a atuação das instituições responsáveis pelo processo eleitoral. Flávio levantou suspeitas de irregularidades e afirmou que determinados resultados seriam matematicamente impossíveis, mas não apresentou provas que comprovassem suas alegações. O resultado eleitoral, entretanto, foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Lula. Questionamentos políticos sobre o pleito não constituem, por si só, evidência de fraude.
A repercussão da viagem aos Estados Unidos também ganhou dimensão internacional. Em informação publicada em 30 de outubro, a agência Reuters noticiou que o governo do presidente norte-americano Donald Trump não tinha planos de respaldar a pretensão de Flávio Bolsonaro de ser reconhecido como legítimo líder do Brasil. O episódio acrescenta um elemento diplomático à movimentação política do senador, que afirma pretender manter sua influência sobre a oposição brasileira mesmo fora do país.
Com as declarações, Flávio Bolsonaro sinaliza que pretende continuar como uma das principais lideranças do campo oposicionista, concentrando esforços na articulação parlamentar e na possibilidade de uma nova disputa presidencial antes do calendário eleitoral regular de 2030. Por enquanto, a antecipação de uma eleição permanece no campo das hipóteses defendidas pelo senador, sem que sua realização esteja estabelecida.













