O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9 de setembro de 2026) as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino que haviam provocado uma disputa sobre o comando da Polícia Federal. Com a determinação, Andrei Rodrigues permanece, por enquanto, no cargo de diretor-geral da PF. A medida foi tomada para interromper a sequência de decisões conflitantes dentro da Corte.
A crise começou quando André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro acusou integrantes da corporação de produzirem relatórios de inteligência que teriam monitorado ilegalmente autoridades, incluindo o próprio Mendonça. A decisão chegou a receber maioria na Segunda Turma do STF, mas um pedido de vista de Gilmar Mendes interrompeu o julgamento.
Na terça-feira (8), Mendonça afirmou que a PF teria produzido pelo menos seis relatórios entre 3 e 31 de agosto com informações sobre possíveis conexões religiosas entre ele e o então advogado-geral da União, Jorge Messias. O ministro classificou a tentativa de relacionar suas convicções religiosas a decisões institucionais como “abjeta e leviana” e determinou medidas para interromper a produção de relatórios de inteligência destinados a subsidiar ações judiciais.
A decisão provocou reação imediata. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos. Dino considerou que o afastamento poderia prejudicar investigações em andamento da Polícia Federal e avaliou que não havia fundamentação suficiente para retirar os dois dirigentes de suas funções. A decisão foi interpretada como uma reversão direta da determinação de Mendonça.
Diante do conflito, Fachin interveio e suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino. Segundo o presidente do STF, a sucessão de ordens contraditórias representou uma “grave lesão à ordem pública”. A intenção declarada é impedir que novas decisões isoladas aprofundem o impasse e centralizar temporariamente a condução do caso na Presidência da Corte.
Com a decisão de Fachin, Andrei Rodrigues continua à frente da Polícia Federal até que o Supremo volte a analisar a questão. O presidente do STF também determinou que o diretor-geral apresente informações sobre sua permanência no cargo. A situação, portanto, ainda não está definitivamente resolvida e deverá ser examinada pelos ministros da Corte.
O episódio ocorre em meio a uma crise mais ampla dentro do Supremo, agravada pelas investigações envolvendo o Banco Master. Fachin também decidiu retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que estava sob condução de Moraes havia mais de sete anos, e assumiu a relatoria do processo. Os atos já praticados por Moraes foram preservados.
Além disso, Fachin marcou para a próxima terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar questões relacionadas ao relatório que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além do pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento. Até a realização da sessão, também fica suspenso o andamento da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes.
A intervenção de Fachin representa uma tentativa de conter a escalada do conflito entre ministros do STF e evitar que decisões individuais sobre a Polícia Federal produzam novas disputas institucionais. Por enquanto, Andrei Rodrigues permanece no comando da corporação, enquanto o plenário da Corte deverá definir os próximos passos diante do impasse.














