PL ameaça punir prefeitos que apoiam Pivetta em Mato Grosso

O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou que prefeitos da legenda que declararam apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), contrariando a orientação partidária, poderão perder espaço no comando dos diretórios municipais e enfrentar dificuldades para disputar a reeleição em 2028. A declaração foi divulgada pelo Jornal Oeste em 8 de setembro de 2026, em meio ao acirramento da disputa eleitoral pelo Governo do Estado.

Entre os prefeitos citados estão Flávia Moretti, de Várzea Grande, Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, e Carlos Borchardt, de Tabaporã. Segundo Ananias, os casos estão sendo analisados internamente e podem resultar em punições, inclusive na expulsão dos integrantes que tenham descumprido as orientações do partido.

A crise dentro do PL ocorre porque a legenda lançou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso, enquanto prefeitos eleitos pelo partido decidiram apoiar Pivetta, que busca a reeleição pelo Republicanos. A direção estadual considera que os gestores deveriam ter deixado o PL antes de manifestar apoio público a um candidato de outra sigla.

Em 2 de setembro, Ananias Filho confirmou a abertura de procedimentos disciplinares contra Flávia Moretti, Cláudio Ferreira e Sérgio Machnic. Segundo o dirigente, os processos foram encaminhados para análise jurídica e os prefeitos terão direito à defesa antes de qualquer decisão. O prazo estimado para a conclusão dos procedimentos varia de 30 a 60 dias.

“Eu não acho ruim a pessoa se posicionar, eu só acho ruim a pessoa não ter hombridade de chegar no partido e falar, olha, eu vou me afastar do partido, eu vou desfiliar do partido e vou apoiar outro candidato”, afirmou Ananias ao comentar a situação dos prefeitos.

O presidente estadual do PL também argumentou que os gestores utilizaram a estrutura partidária e receberam recursos destinados às campanhas quando foram eleitos pela legenda. Na avaliação dele, aqueles que decidiram apoiar um candidato adversário deveriam ter se afastado do partido antes de assumir essa posição.

A tensão aumentou nas últimas semanas com a adesão de outros prefeitos do PL à campanha de Pivetta. Em levantamento divulgado pelo próprio Jornal Oeste em 4 de setembro, seis prefeitos da legenda já haviam declarado apoio ao governador: Flávia Moretti, Cláudio Ferreira, Sérgio Machnic, Emerson Piaia, Carlos Borchardt e Emerson Sabatine.

O caso de Piaia tem uma particularidade. O prefeito de Campo Novo do Parecis deixou o PL e passou a apoiar Pivetta, enquanto Emerson Sabatine, prefeito de Itanhangá, permanece filiado ao partido e também declarou apoio ao governador. As movimentações mostram que a divergência em torno da eleição estadual ultrapassou a disputa entre as cúpulas partidárias e chegou diretamente às administrações municipais.

Apesar da possibilidade de expulsão, Ananias afirmou que os procedimentos não significam uma decisão antecipada. Os prefeitos ainda poderão apresentar suas justificativas, e a direção partidária deverá analisar individualmente cada caso antes de definir eventuais punições.

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