Leite reage em MT, mas preço acumula queda de 12,12% no semestre

O preço médio do leite pago ao produtor em Mato Grosso fechou o primeiro semestre de 2026 em R$ 2,03 por litro, recuo de 12,12% na comparação com os seis primeiros meses de 2025. Os dados são do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e foram divulgados em análise publicada pelo Agrolink em 12 de agosto.

O resultado negativo foi influenciado principalmente pelos preços mais baixos registrados no primeiro trimestre. A comparação também ocorre com uma base elevada, já que o primeiro semestre de 2025 havia apresentado o maior preço médio para o período desde o início da série histórica, em 2015.

Mesmo com a queda acumulada, o mercado vem demonstrando recuperação. O preço referente ao leite captado em junho de 2026 e pago ao produtor em julho alcançou R$ 2,27 por litro, crescimento de 4,96% sobre os R$ 2,16 registrados no mês anterior. Foi o quinto aumento consecutivo da cotação, indicando uma mudança no comportamento do mercado ao longo do primeiro semestre.

A oferta de matéria-prima, entretanto, permanece como um dos principais pontos de atenção para a cadeia. O ICAP-L, indicador acompanhado pelo Imea para medir a captação de leite no estado, ficou em 45,66% na média do primeiro semestre. O resultado representa queda de 5,68 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado e o menor nível da série histórica.

A redução da disponibilidade de leite ganha ainda mais importância com a chegada do período de seca em Mato Grosso. Segundo a análise semanal do Imea citada pelo Agrolink, a diminuição das chuvas pode pressionar a produção e reduzir a oferta de matéria-prima para as indústrias nos próximos meses.

Nesse cenário, a tendência é de aumento da competição entre os laticínios para garantir o volume necessário ao processamento. A menor oferta pode contribuir para sustentar ou até elevar os preços pagos ao produtor, dependendo do comportamento da demanda e da necessidade das indústrias de assegurar o abastecimento durante o período de menor disponibilidade.

O próprio Imea mantém acompanhamento específico do preço do leite pago ao produtor, calculado a partir de informações coletadas junto a laticínios e produtores. A metodologia considera o mês anterior ao pagamento, já que o produtor normalmente recebe pelo leite cerca de 40 dias depois da entrega à indústria, além de utilizar preços ponderados conforme a participação regional na captação.

A recuperação observada até julho, portanto, ainda não foi suficiente para compensar a perda acumulada no início do ano. O mercado chega ao segundo semestre com preços em trajetória positiva, mas também com uma oferta de leite mais restrita e a perspectiva de que a seca exerça influência sobre a captação em Mato Grosso.

Para o produtor, a combinação entre menor oferta e disputa maior entre as indústrias pode representar uma oportunidade de recuperação das margens, desde que a alta da cotação seja suficiente para compensar os custos de produção. Para os laticínios, por outro lado, a redução da matéria-prima tende a aumentar a pressão sobre a aquisição de leite e sobre os custos da indústria.

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