O projeto Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar – no Coração de Mato Grosso, criado pela Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso), foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e passou a integrar o Programa de Promoção de Boas Práticas Agrícolas. O reconhecimento foi formalizado por portaria publicada no Diário Oficial da União em 10 de julho de 2026.
A certificação contempla atualmente 17 agricultores familiares dos municípios de Sorriso, Vera e Boa Esperança do Norte, no médio-norte de Mato Grosso. O projeto foi criado para identificar a origem dos alimentos, ampliar a rastreabilidade da produção e estimular a adoção de práticas relacionadas à qualidade, segurança dos alimentos, sustentabilidade e gestão das propriedades.
Para receber o selo, os agricultores passam por uma avaliação baseada em 27 critérios técnicos. Entre os itens analisados estão a regularização documental, o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o planejamento produtivo, a gestão de riscos, as boas práticas agrícolas, o uso responsável de insumos, a higiene, a segurança alimentar, o bem-estar animal e a responsabilidade ambiental.
A preservação ambiental também está entre as exigências do projeto. Os produtores são orientados a realizar a separação adequada de resíduos e a adotar sistemas de compostagem, incluindo o reaproveitamento de resíduos orgânicos e agrícolas para produção de adubo. A proposta é integrar as práticas de conservação ambiental à rotina das propriedades certificadas.
Outro diferencial do selo é a utilização de um QR Code nos produtos. Por meio do código, o consumidor pode acessar informações sobre o agricultor, a propriedade rural, o sistema de produção, imagens da lavoura e a origem do alimento. A ferramenta amplia a transparência e permite uma aproximação maior entre quem produz e quem compra.
Um dos agricultores certificados é Ivaldino Han, proprietário do Sítio Nossa Senhora Aparecida, localizado a aproximadamente 28 quilômetros de Sorriso. Na propriedade são cultivados banana, mamão, maracujá e abacaxi, produtos que abastecem escolas públicas, feiras, frutarias e mercados da região.
Em quase dois anos de execução, o projeto passou a acompanhar 164 hectares de propriedades rurais, sendo 103 hectares destinados à produção. Nesse período, houve expansão de 18 hectares das áreas produtivas. O reconhecimento do Mapa também representa o segundo projeto do CAT Sorriso reconhecido nacionalmente pelo Ministério da Agricultura. Em 2025, a associação recebeu reconhecimento pelo projeto Gente que Produz e Preserva, voltado a agricultores que produzem soja certificada pelo padrão internacional RTRS.
Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, o reconhecimento do Ministério da Agricultura representa a validação de um trabalho desenvolvido com produtores, parceiros e equipe técnica. Segundo ela, a certificação reforça o compromisso com o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e amplia a visibilidade dos agricultores participantes.
O reconhecimento federal, portanto, consolida uma iniciativa regional de identificação de origem e boas práticas, sem se confundir com o Selo Nacional da Agricultura Familiar (SENAF), que é uma certificação federal distinta.














