Polícia Civil de SP tem 23 réus por corrupção e lavagem

Imagem produzia com IA

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), denunciou 23 pessoas por participação em um esquema estruturado de corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de fraude processual dentro da Polícia Civil paulista. A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e transformou todos os investigados em réus no processo. Entre os envolvidos estão policiais civis, incluindo delegados, advogados, intermediários e operadores financeiros apontados como doleiros.

Segundo as investigações, o grupo atuava há pelo menos quatro anos, em um esquema que incluía cobrança de propina para atrapalhar investigações, ocultação e destruição de provas, além da manipulação de documentos. O Ministério Público aponta ainda que os investigados ofereciam proteção a redes de lavagem de dinheiro responsáveis por movimentar bilhões de reais por meio de empresas utilizadas para operações financeiras suspeitas. Delegacias importantes da capital paulista, como o 16º e o 35º Distritos Policiais, foram mencionadas em fases anteriores das apurações.

A ofensiva mais recente ocorreu em março de 2026, durante uma operação que teve como um dos principais alvos um esquema de corrupção instalado dentro da própria estrutura policial. A ação resultou na prisão de nove a onze pessoas, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão. As investigações apontaram pagamento de propina em um hangar da Polícia Civil e destruição de provas para dificultar o avanço das apurações. Na ocasião, o governo de São Paulo anunciou a realização de correições e prometeu rigor nas investigações administrativas.

Em 27 de abril de 2026, o Ministério Público apresentou formalmente a denúncia contra os 23 acusados. Já em maio, a Justiça aceitou a acusação, tornando os investigados réus. Parte deles responde ao processo em liberdade, enquanto as investigações continuam em andamento. Paralelamente, outras ações recentes envolvendo a Polícia Civil paulista também ganharam repercussão, incluindo a demissão de policiais condenados por tráfico de drogas e ligações com o PCC em casos distintos.

Embora publicações nas redes sociais associem diretamente o esquema ao governo do governador Tarcísio de Freitas, as investigações apontam que a atuação do grupo começou antes de 2023 e atravessou diferentes gestões estaduais. As fontes consultadas não relacionam de forma direta este caso específico ao PCC, embora haja menções à proteção de organizações criminosas envolvidas em lavagem de dinheiro. O governo paulista afirmou que vem reforçando mecanismos de integridade e compliance após o avanço das operações.

O caso é considerado um dos mais graves episódios recentes envolvendo corrupção interna na Polícia Civil de São Paulo e expõe falhas institucionais acumuladas ao longo de anos. As investigações seguem abertas e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.

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