Ação da PM em terreiro gera acusações de intolerância religiosa no Paraná

Uma operação da Polícia Militar durante um ritual de Umbanda no Paraná provocou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre intolerância religiosa no estado. Segundo a dirigente espiritual Talissa Carvalho Huebner, os policiais entraram no local de maneira abrupta e interromperam a cerimônia de forma considerada desrespeitosa pelos participantes.

De acordo com relatos divulgados por integrantes do terreiro, a ação teria ocorrido sob justificativa de fiscalização, possivelmente após denúncia relacionada a perturbação do sossego ou situação semelhante. O ponto que mais gerou indignação foi o número de viaturas mobilizadas: ao todo, 14 equipes da PM teriam participado da ocorrência, mesmo com um grupo reduzido de pessoas presentes no ritual religioso.

A repercussão foi imediata nas redes sociais, onde usuários passaram a acusar a corporação de perseguição seletiva contra religiões de matriz africana. Expressões como “Paranazi”, “PM evangelizada” e críticas sobre preconceito estrutural dominaram as publicações ligadas ao caso. Muitos internautas também questionaram o uso de recursos públicos em uma operação considerada desproporcional diante da situação relatada.

O episódio ocorre em meio a um histórico de denúncias de intolerância religiosa envolvendo terreiros de Umbanda e Candomblé no Paraná, especialmente em Curitiba. Casos anteriores já incluíram ataques físicos e investigações por crimes motivados por intolerância religiosa. Organizações de direitos humanos apontam que religiões afro-brasileiras seguem entre as mais atingidas por esse tipo de violência no país.

Setores da esquerda e representantes de comunidades de matriz africana utilizaram o caso para criticar o que classificam como influência crescente de segmentos evangélicos dentro das forças de segurança. Também surgiram comparações com cultos evangélicos realizados em áreas residenciais, que, segundo críticos, raramente recebem operações policiais semelhantes.

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