Arroz com validade adulterada em cestas do Dia das Mães gera revolta em Tocantins

A distribuição de cestas básicas durante a festa do Dia das Mães em Tocantinópolis, no norte do Tocantins, virou alvo de denúncias após moradores encontrarem pacotes de arroz com indícios de adulteração nas datas de fabricação e validade. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais depois que vídeos começaram a circular mostrando embalagens de arroz de 5 quilos com etiquetas sobrepostas. Na parte externa, os pacotes indicavam fabricação em 16 de abril de 2026 e validade até 16 de abril de 2027. Porém, ao remover o adesivo, aparecia outra informação: fabricação em 15 de setembro de 2022 e vencimento em 15 de fevereiro de 2023.

As cestas foram entregues por meio da Secretaria de Assistência Social durante um evento promovido pela Prefeitura de Tocantinópolis. O caso viralizou rapidamente em plataformas como Instagram, Facebook, X e YouTube Shorts, impulsionado principalmente por publicações da página @EleicaoBr2026, que classificou a situação como “alimento podre embrulhado em fraude”. O tom sensacionalista das postagens aumentou ainda mais a repercussão local, especialmente por se tratar de um ano pré-eleitoral.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Tocantinópolis informou que as cestas básicas foram adquiridas por meio de licitação pública e entregues já montadas e lacradas pela empresa fornecedora. Segundo a secretária de Assistência Social, Verônica Macêdo, a gestão municipal notificou imediatamente a Mercearia Rodrigues, responsável pelo fornecimento, abriu uma sindicância interna para apurar o caso e determinou a suspensão do pagamento à empresa até a conclusão das investigações. A prefeitura também orientou os moradores a procurarem o estabelecimento para realizar a troca gratuita dos produtos e divulgou um pedido público de desculpas.

A Mercearia Rodrigues, por sua vez, afirmou que o arroz estaria “próprio para consumo” e negou comprometimento na qualidade ou no armazenamento do produto. De acordo com a versão apresentada pela empresa, houve uma “inconsistência no processo de embalagem do lote”, causada pelo uso indevido de embalagens pertencentes a outro lote de mercadorias. O estabelecimento sustenta que a data correta seria a estampada no adesivo externo e informou que notificou o fornecedor responsável pelo empacotamento.

Apesar da justificativa, especialistas apontam que a sobreposição de etiquetas com datas divergentes representa uma irregularidade grave e pode configurar violação das normas sanitárias e do Código de Defesa do Consumidor. Embora não existam, até o momento, relatos generalizados de intoxicação alimentar, a situação levantou preocupações sobre possíveis riscos relacionados à conservação do alimento, incluindo umidade, pragas, perda nutricional e contaminação.

O episódio também abriu debate sobre a fiscalização dos produtos adquiridos com recursos públicos e distribuídos em programas sociais. Em publicações nas redes sociais, usuários passaram a questionar não apenas a origem dos alimentos, mas também os valores envolvidos na compra das cestas básicas. Alguns posts mencionam que o pacote de arroz teria custado R$ 42,75 aos cofres públicos, enquanto produtos semelhantes seriam encontrados no mercado por cerca de R$ 18, informação que ainda deverá ser analisada pelos órgãos de controle.

O caso segue em investigação e pode envolver órgãos como Vigilância Sanitária, Procon, Ministério Público e Tribunal de Contas. Enquanto a apuração avança, moradores cobram mais rigor na fiscalização e transparência total sobre os resultados da sindicância aberta pela prefeitura.

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