
O juiz Tonny Carvalho Araújo Luz, titular da 2ª Vara de Balsas, virou alvo de forte repercussão nacional após a divulgação de um áudio em que supostamente oferece favorecimento judicial em troca de favores sexuais a uma mulher que buscava medida protetiva contra o ex-marido. O caso ganhou grande visibilidade nesta quarta-feira, 7 de maio de 2026, após a circulação do material nas redes sociais e em perfis jornalísticos.
Segundo as denúncias, a vítima, Daniela da Silva Moura, procurou o Fórum de Balsas em fevereiro de 2022 após relatar ameaças e perseguições praticadas pelo ex-companheiro. Durante o atendimento, o magistrado teria pedido o número de telefone dela e continuado a conversa por meio do WhatsApp. No áudio divulgado publicamente, o juiz aparece fazendo declarações de teor sexual e insinuando facilidades judiciais em troca de favores íntimos.
Entre as frases atribuídas ao magistrado no áudio está a declaração: “Se tu for advogada que chega na sala do juiz e fecha a porta e paga aquele boquete, tu vai ganhar as causas tudinho… Tu pode pedir protetiva contra ele que aí a gente dá um susto nele.” A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais, provocando indignação e críticas de usuários, especialmente por envolver uma mulher em situação de vulnerabilidade e violência doméstica.
Apesar da repercussão, informações divulgadas até o momento indicam que Tonny Luz continua exercendo suas funções normalmente. O processo relacionado à vítima teria sido arquivado, segundo publicações feitas pelo advogado João Figueiredo nas redes sociais. Até agora, não houve anúncio oficial de afastamento do magistrado por parte do Tribunal de Justiça do Maranhão.
O caso também trouxe à tona investigações anteriores envolvendo o juiz maranhense. Tonny Luz já havia sido citado na Operação Inauditus, conduzida pela Polícia Federal, que investigava suspeitas de venda de sentenças judiciais. Além disso, o magistrado foi alvo de sindicância interna do Tribunal de Justiça do Maranhão por suposto uso excessivo de inteligência artificial na elaboração de centenas de decisões judiciais com falhas de fundamentação. Em outro momento, ele chegou a utilizar tornozeleira eletrônica no contexto de investigações anteriores.
A divulgação do áudio intensificou cobranças públicas por uma atuação do Conselho Nacional de Justiça e do Tribunal de Justiça do Maranhão. Nas redes sociais, usuários pedem afastamento imediato do magistrado e abertura de procedimentos disciplinares rigorosos. O caso ainda está em fase inicial de denúncia pública e deve passar por apuração formal dos órgãos responsáveis pelo controle do Judiciário brasileiro.
Resumo do histórico do juiz:
- 2020 → Ocorrência do assédio (segundo a vítima).
- 2022 → Abertura do inquérito na Promotoria de Balsas.
- 2025 → Sindicância na Corregedoria do TJ-MA por uso excessivo de IA e produtividade suspeita (quase 1.000 sentenças em um mês).
- Abril 2026 → Operação Inauditus (PF) – investigado por suspeita de venda de sentenças; afastado por 180 dias pelo STJ e colocado com tornozeleira eletrônica.
- Final de abril/maio 2026 → Explosão do caso do assédio sexual com divulgação do áudio.
- Detalhes do caso:
- Vítima: Daniela da Silva Moura (assessora jurídica, moradora de Balsas/MA).
- Juiz: Tonny Carvalho Araújo Luz (na época titular da Vara de Violência Doméstica).
- Fato: Daniela procurou o Judiciário em busca de medida protetiva contra o ex-marido que a ameaçava e perseguia. O juiz pediu o telefone dela, continuou o contato por WhatsApp e, segundo a denúncia, condicionou ajuda/julgamento favorável a favores sexuais (incluindo a referência explícita a “boquete” no áudio).
- Data do fato: Conversas ocorreram principalmente em agosto de 2020.
- Investigação: Em fevereiro de 2022, a 1ª Promotoria de Justiça de Balsas (titular Dailma Maria de Melo Brito) abriu inquérito civil ou penal para apurar o caso. O procedimento teve prazo de um ano, mas o resultado nunca foi divulgado publicamente na época.
- O áudio que circula agora (e que foi exposto pelo deputado estadual Yglésio Moyses e por diversos perfis) é o mesmo material que embasou a investigação de 2022. O que mudou recentemente é a grande repercussão pública após a divulgação do áudio e do vídeo.












