Quase dois meses após o brutal ataque que quase tirou sua vida, Maria Niuzete Batista, de 55 anos, ainda carrega as marcas profundas no corpo e na alma de uma agressão covarde que expõe, mais uma vez, a violência misógina que muitas mulheres enfrentam no dia a dia de seus trabalhos.
Na madrugada de 7 de março de 2026, Maria Niuzete exercia sua função como recepcionista em um hotel no bairro Bigorrilho quando foi alvo de um hóspede insatisfeito com uma simples recusa. Jhonathan Reynaldo dos Santos, então com 24 anos, queria um beijo. Ao ser rejeitado, transformou a recusa em fúria. Pulou o balcão, perseguiu a mulher, invadiu o banheiro dos funcionários e a agrediu com selvageria por vários minutos.
Socos, chutes, enforcamento e golpes com uma saboneteira de porcelana quebrada na cabeça. As imagens das câmeras de segurança registraram o horror: uma mulher de 55 anos lutando desesperadamente pela vida enquanto era espancada e, segundo seu relato à polícia, também vítima de tentativa de estupro. “Estou viva porque lutei muito”, desabafou ela em entrevista após o crime.
Maria Niuzete saiu do hotel ensanguentada, atravessou a rua pedindo socorro. Sofreu cortes profundos que atingiram ligamentos, fraturas e marcas evidentes de enforcamento. Precisou de cirurgia e ainda enfrenta sequelas físicas e emocionais. Foi afastada do trabalho para se recuperar.
Réu por tentativa de feminicídio
Jhonathan foi preso em flagrante ainda no dia do crime e permanece preso preventivamente na Cadeia Pública de Curitiba. O Ministério Público do Paraná o denunciou por tentativa de feminicídio qualificado (por motivo fútil e contra mulher), tentativa de estupro e fraude processual. A Justiça aceitou a denúncia, e ele responderá a ação penal em Tribunal do Júri.
A tipificação por tentativa de feminicídio foi mantida pelo MP-PR mesmo após a Polícia Civil ter inicialmente descartado essa qualificação, mais um sinal da gravidade do caso, reforçada pelas provas técnicas e pelo depoimento corajoso da vítima.
Um caso que não pode ser esquecido
Maria Niuzete não era uma desconhecida qualquer. Era uma trabalhadora cumprindo seu expediente, uma mulher que disse “não” e quase pagou com a vida por isso. Seu caso simboliza a vulnerabilidade de tantas mulheres que atuam em funções de atendimento e que, muitas vezes, são vistas como “disponíveis” por homens que não aceitam rejeição.
Enquanto Jhonathan segue preso, Maria Niuzete reconstrói sua vida entre dores, fisioterapia e trauma. Sua coragem ao registrar a ocorrência, passar por exame de corpo de delito e enfrentar o processo judicial merece todo o respeito e apoio.
Este não é apenas mais um caso de violência doméstica ou de bar. É um caso de violência de gênero explícita, com tentativa de estupro seguida de tentativa de assassinato. A sociedade e o Judiciário devem cobrar uma resposta à altura.A Justiça do Paraná tem agora a responsabilidade de julgar esse crime com rigor. Maria Niuzete merece justiça, e todas as mulheres que ainda hoje têm medo de dizer “não” merecem saber que o Estado não compactua com a impunidade.













