Empresária tem prisão decretada por tortura a grávida no MA

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Maranhão nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, por suspeita de tortura, lesão corporal, ameaça e outros crimes contra a jovem Samara Regina, de 19 anos, grávida de cinco meses. O caso aconteceu em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, e ganhou forte repercussão após a divulgação de áudios atribuídos à empresária.

O mandado de prisão foi expedido a pedido da Polícia Civil do Maranhão. Até o fim da tarde desta quinta-feira, Carolina não havia sido localizada em sua residência. A defesa informou que a empresária pretende se apresentar voluntariamente ainda hoje em uma delegacia para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Segundo as investigações, o episódio ocorreu no dia 17 de abril de 2026, na casa da empresária, onde Samara trabalhava havia cerca de 15 dias em um contrato temporário de um mês. A jovem relatou que aceitou o emprego para juntar dinheiro e comprar o enxoval do bebê. Carolina teria acusado a funcionária de furtar uma joia, descrita como um anel, e iniciado uma sequência de agressões físicas e ameaças.

De acordo com o depoimento da vítima, as agressões duraram quase uma hora e incluíram tapas, socos e coronhadas. Um homem ainda não identificado, armado, também teria participado das violências. Samara afirmou que foi obrigada a se ajoelhar durante as agressões, tentou proteger a barriga por causa da gravidez e ouviu ameaças de morte contra ela e o bebê. As agressões teriam continuado mesmo depois de o anel ser encontrado dentro de um cesto de roupas sujas.

A Polícia Civil obteve áudios enviados pela própria Carolina em um grupo de WhatsApp de amigos. Nas gravações, já incorporadas ao inquérito da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, a empresária relata as agressões com detalhes. Entre os trechos divulgados pela TV Mirante estão frases como: “Quase uma hora essa menina no massacre… era eu e ele fazendo”, “Dei tanto nessa mulher que até hoje minha mão está inchada” e “Não era pra ter saído viva”. A autenticidade do material foi confirmada pelos investigadores.

Outro áudio também passou a ser analisado pelas autoridades. Nele, Carolina comenta que uma viatura da Polícia Militar esteve no local após o ocorrido, mas um policial que a conhecia teria evitado sua condução imediata à delegacia. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que eventuais irregularidades na atuação policial serão investigadas.

O histórico judicial da empresária também voltou ao centro das atenções. Carolina Sthela responde a mais de dez processos e já foi condenada em 2024/2025 por calúnia após acusar falsamente uma ex-babá de furtar uma pulseira de ouro pertencente ao filho dela. Na ocasião, a pena de seis meses foi convertida em prestação de serviços comunitários e indenização à vítima.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA protocolou pedido de prisão preventiva e classificou o caso como tortura agravada pelo fato de a vítima estar grávida. A entidade destacou risco de reincidência e gravidade extrema das acusações. Enquanto isso, Samara Regina segue em recuperação física e emocional após prestar depoimento às autoridades.

A defesa da empresária afirma que Carolina colabora com as investigações e apresentará sua versão dos fatos no momento oportuno, negando de forma veemente as acusações. O caso continua sob investigação, e a Polícia Civil aguarda laudos periciais e novos depoimentos, incluindo o do homem apontado como participante das agressões.

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