PF investiga Deolane por suspeita de lavagem na Operação Narco Fluxo

A Polícia Federal em São Paulo investiga a advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Narco Fluxo. A ação, deflagrada em 15 de abril de 2026, é um desdobramento de investigações anteriores e mira uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão, supostamente oriundos do tráfico internacional de drogas.

A operação já resultou na prisão de nomes como MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa, além do cumprimento de dezenas de mandados em diversos estados. Segundo a PF, o grupo utilizaria empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legais com recursos ilícitos, incluindo movimentações por meio de criptoativos.

De acordo com relatório de inteligência, a conta bancária de Deolane teria funcionado como uma “conta de passagem”, caracterizada por grande volume de entradas e saídas em curto período. Entre 14 de maio e 30 de junho de 2025, em um intervalo de 47 dias, cerca de R$ 5,3 milhões passaram por sua conta. Entre as transações analisadas estão o recebimento de R$ 430 mil de uma produtora ligada a MC Ryan SP, a transferência de R$ 1,16 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr. e pagamentos superiores a R$ 1,1 milhão a uma empresa do setor automotivo especializada em blindagem.

A Polícia Federal aponta que essas movimentações estariam inseridas em um ecossistema financeiro compartilhado com outros investigados, levantando suspeitas de tentativa de dificultar o rastreamento da origem dos recursos. A doação ao instituto, por exemplo, é analisada sob a hipótese de possível estratégia de “limpeza de imagem”, embora ainda sem conclusões definitivas.

Em manifestação pública nas redes sociais, Deolane negou qualquer irregularidade. A influenciadora afirmou que o valor recebido está relacionado à venda ou troca de um veículo com MC Ryan, devidamente documentada e declarada no imposto de renda. Também declarou que suas contribuições ao instituto são legais e registradas, ressaltando que mantém controle formal de todas as suas transações. Ela ainda alegou estar sendo alvo de perseguição e relembrou uma prisão anterior em 2024, da qual foi liberada.

Até o momento, Deolane não foi alvo de prisão nesta fase da operação, e não há denúncia formal apresentada contra ela. A investigação segue em andamento, com análise detalhada do fluxo financeiro para verificar se há ligação concreta com o esquema investigado.

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