Nikolas admite republicar laudo falso da PF e diz que apagou publicação

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu ter republicado em suas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF), que apresentava supostas conclusões sobre mensagens trocadas entre ele e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A publicação ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, e foi apagada depois que o parlamentar tomou conhecimento de que o material não havia sido produzido pela corporação.

A informação foi confirmada pela assessoria do deputado, que afirmou que Nikolas apenas republicou o conteúdo a partir de um portal e retirou a postagem assim que descobriu que o documento era falso. A Polícia Federal confirmou, na sexta-feira, 4 de setembro, que o relatório não foi produzido pela instituição.

O documento que circulou nas redes sociais apresentava-se como um relatório da PF e afirmava que as mensagens entre Nikolas e Vorcaro indicariam somente um “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”. O material também dizia que não existiriam elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação específica contra o deputado.

A PF, porém, negou a autoria do documento. A análise do material também revelou inconsistências que ajudaram a identificar a fraude. Entre elas está a data atribuída ao suposto relatório, que aparece como 18 de novembro de 2025.

A data chamou atenção porque Daniel Vorcaro havia sido preso pela primeira vez um dia antes, em 17 de novembro de 2025. O relatório verdadeiro da Polícia Federal que veio a público no contexto atual do caso, por outro lado, é datado de 27 de agosto de 2026.

Outra evidência de falsificação foi identificada no próprio arquivo. A imagem apresentava uma marca d’água associada a uma ferramenta da OpenAI, indicando que o conteúdo poderia ter sido produzido artificialmente. Também foram apontados erros de português e outras inconsistências no documento.

A circulação do falso relatório ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro. O conteúdo verdadeiro passou a ser analisado no contexto das investigações relacionadas ao ex-banqueiro e ao Banco Master.

No dia 3 de setembro, Nikolas reconheceu que havia mantido contato com Vorcaro, mas negou qualquer participação em irregularidades e afirmou que nunca recebeu dinheiro do empresário. O deputado também explicou que os contatos ocorreram em circunstâncias específicas e não representariam envolvimento em atividades ilícitas.

Um dos contatos mencionados por Nikolas ocorreu em 2024, quando o deputado teria procurado Vorcaro após questionamentos relacionados ao financiamento de uma viagem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que desconhecia que o Banco Master havia financiado o evento.

O segundo contato ocorreu em 30 de março de 2025, segundo as informações divulgadas sobre o caso. Na ocasião, Nikolas teria pedido ajuda a Vorcaro em relação a um ativo minerário de interesse do advogado e amigo Thiago Rodrigues de Faria.

O deputado afirmou posteriormente que deixou de manter contato com Vorcaro depois que o nome do empresário passou a aparecer em notícias relacionadas a investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A divulgação das mensagens colocou Nikolas no centro da repercussão política do caso envolvendo Vorcaro. O episódio ganhou ainda mais dimensão depois que o deputado republicou o documento falso que aparentava isentá-lo de qualquer suspeita nas conversas com o ex-banqueiro.

A retirada da publicação não impediu, contudo, que o conteúdo continuasse circulando nas redes sociais. Depois que a fraude foi identificada, veículos de comunicação e plataformas de checagem passaram a apontar que o suposto relatório não era um documento oficial da Polícia Federal.

A situação também provocou novas reações políticas. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), por exemplo, pediu a prisão de Nikolas pela publicação do documento falso. O pedido, entretanto, representa uma manifestação política e não significa que tenha sido determinada prisão do deputado.

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