O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve, nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, as provas obtidas contra a advogada e influenciadora digital Dayane Karol Moreira, investigada na Operação Replay por suposta participação em um esquema de lavagem e ocultação de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. A decisão foi tomada pelo desembargador Marcos Machado, da Primeira Câmara Criminal do TJ-MT, que negou o pedido liminar apresentado pela defesa para anular as provas coletadas durante a operação.
A defesa de Dayane alegou que o mandado de busca e apreensão teria sido cumprido em endereço diferente daquele autorizado pela Justiça e sem o acompanhamento de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O relator, porém, rejeitou os argumentos ao considerar que documentos apresentados pela própria defesa, entre eles contratos de prestação de serviços e a declaração de Imposto de Renda, apontavam o local da diligência como domicílio fiscal e endereço profissional da advogada.
O pedido também buscava o relaxamento da prisão sob o argumento relacionado à maternidade de uma criança de oito anos. A solicitação foi afastada porque Dayane já havia sido beneficiada com prisão domiciliar, concedida pela juíza Edna Ederli Coutinho. A medida inclui monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto a defesa tenta obter a revogação das demais medidas cautelares e a liberdade plena da investigada.
Dayane Karol Moreira foi alvo da Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso em 30 de julho de 2026. A investigação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao Comando Vermelho. Entre os alvos está Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT”, apontado pelos investigadores como responsável pelo setor financeiro da organização criminosa e que, mesmo preso na Penitenciária Central do Estado, teria continuado a operar a estrutura financeira investigada.
Segundo as investigações citadas no processo, Dayane teria atuado na dissimulação de patrimônio, inclusive na intermediação da aquisição de imóveis de alto padrão em Itapema, em Santa Catarina, que teriam sido registrados em nome de terceiros. A operação também alcançou outros investigados apontados como integrantes ou colaboradores do esquema. As acusações contra Dayane, contudo, permanecem no âmbito da investigação e ainda não representam uma condenação criminal definitiva.
A Operação Replay é apontada como desdobramento das apurações iniciadas na Operação Apito Final, que investigou a movimentação financeira de integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso. Na nova etapa, as autoridades concentraram esforços na identificação e bloqueio de patrimônio supostamente utilizado para ocultar recursos da organização. Conforme as informações divulgadas sobre a operação, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em mais de R$ 17,2 milhões, além da indisponibilidade de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros.
Com a decisão do desembargador Marcos Machado, permanecem válidas, nesta fase do processo, as provas questionadas pela defesa de Dayane Karol Moreira. A decisão não representa julgamento definitivo sobre a responsabilidade criminal da investigada, mas mantém os elementos obtidos durante a Operação Replay enquanto o processo e as demais medidas judiciais continuam em andamento.














