Gonet pede anulação de relatório da PF sobre Vorcaro e Moraes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a anulação do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e outros elementos relacionados à relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o caso Master, e questiona a forma como a apuração foi determinada.

Gonet sustenta que Mendonça ultrapassou os limites de sua atuação ao determinar que a Polícia Federal aprofundasse, por iniciativa própria, a investigação sobre referências a Moraes encontradas no material apreendido com Vorcaro. Na avaliação do procurador-geral, uma eventual investigação envolvendo outro ministro do Supremo não poderia ser conduzida diretamente pelo relator sem uma solicitação do Ministério Público ou da própria autoridade policial.

“A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual”, afirmou Gonet na manifestação. Para ele, caso surgissem indícios envolvendo um integrante do STF, a questão deveria ser encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que o plenário avaliasse a necessidade de uma eventual investigação.

O relatório contestado tem 218 páginas e foi produzido pela Polícia Federal a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. O documento reúne mensagens, contratos, registros e metadados que fazem referência a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Parte do material trata de contatos entre Vorcaro e Moraes, além de questões relacionadas a negócios envolvendo o Banco Master.

Entre os elementos apresentados pela PF está a referência a um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O material também registra contatos e pedidos feitos por Vorcaro a diferentes autoridades enquanto enfrentava problemas relacionados ao banco e às investigações que culminaram em sua prisão. A existência dessas mensagens e contratos está documentada no relatório, mas as circunstâncias e eventual relevância jurídica dos fatos ainda são objeto de análise.

A manifestação de Gonet também tem peso institucional porque o próprio procurador-geral aparece mencionado no relatório da PF. As mensagens analisadas pelos investigadores incluem referências a contatos envolvendo Vorcaro e pessoas ligadas à Procuradoria-Geral da República. O parecer apresentado nesta terça-feira, contudo, concentra-se principalmente na legalidade da determinação de André Mendonça para aprofundar a investigação sobre as conversas envolvendo Moraes.

O pedido da PGR ocorre no mesmo dia em que o sigilo de parte do material foi retirado. Depois de receber o parecer de Gonet, André Mendonça passou a defender que a questão seja discutida pelo plenário do Supremo. O ministro solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma sessão plenária presencial para analisar as mensagens e os desdobramentos da investigação.

A disputa agora envolve não apenas o conteúdo das mensagens encontradas no celular de Vorcaro, mas também os limites da atuação de um ministro do STF na fase pré-processual de uma investigação envolvendo outro integrante da Corte. Até o momento, o pedido de Paulo Gonet é uma manifestação da Procuradoria-Geral da República e não representa uma decisão definitiva sobre a validade do relatório. A questão deverá ser submetida à apreciação do próprio Supremo Tribunal Federal.

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