A inteligência artificial começa a ganhar espaço em pesquisas voltadas à produção animal no Brasil, com ferramentas capazes de analisar imagens, comportamentos e dados dos animais para gerar informações que podem auxiliar pesquisadores e produtores. Um documento publicado pela Embrapa Suínos e Aves em maio de 2026 apresenta aplicações de visão computacional e aprendizado de máquina em experimentos com suínos e aves.
Entre os trabalhos apresentados está um experimento destinado a analisar automaticamente a preferência alimentar de leitões. Câmeras e modelos de inteligência artificial foram utilizados para acompanhar o comportamento dos animais diante de diferentes opções de alimentação. Segundo a Embrapa, a análise automatizada apresentou correlação de 0,917 com o consumo real obtido por meio de pesagem.
A tecnologia também foi utilizada para acompanhar a movimentação de frangos de corte. O objetivo é transformar imagens captadas continuamente em informações que possam ajudar na avaliação do comportamento e, potencialmente, na identificação de alterações relacionadas ao bem-estar dos animais. A pesquisa utilizou câmeras comerciais, computadores convencionais e software de código aberto.
Outro experimento descrito pela Embrapa aplicou inteligência artificial para a detecção automatizada da fertilidade de ovos. Os resultados demonstram que ferramentas de visão computacional podem ampliar a quantidade de informações extraídas de experimentos realizados na produção animal, reduzindo a necessidade de análise manual de grandes volumes de imagens.
A Embrapa ressalta que a inteligência artificial não substitui o conhecimento de especialistas em áreas como zootecnia, veterinária, nutrição e genética. A proposta é utilizar os recursos tecnológicos para ampliar a capacidade de análise dos pesquisadores e transformar dados coletados no campo ou em experimentos em informações úteis para a tomada de decisões.
O avanço faz parte de uma transformação digital mais ampla da pecuária. Outro estudo publicado pela Embrapa em 2026 identificou crescimento expressivo da produção científica internacional envolvendo tecnologias como big data, sensores, inteligência artificial, visão computacional e Internet das Coisas aplicadas à produção pecuária.














