Bicicletas elétricas se multiplicam no Brasil e desafiam mobilidade urbana

O número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores em circulação no Brasil cresceu 37 vezes em oito anos, passando de 7,6 mil veículos em 2016 para 284 mil em 2024. O fenômeno é tema da edição do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibida nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026), que aborda a expansão desses veículos e os desafios que eles representam para a mobilidade e a segurança nas cidades.

Os veículos já fazem parte da rotina de grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, e são utilizados principalmente para deslocamentos de curta distância. Ao mesmo tempo em que podem representar uma alternativa de mobilidade, o crescimento acelerado também provoca conflitos com outros usuários das vias e levanta discussões sobre fiscalização, infraestrutura e regras de circulação.

Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, organização que representa empresas e entidades do setor, avalia que a utilização desses veículos cresceu de forma espontânea entre a população. Segundo ele, o desafio agora é encontrar uma maneira de integrar e organizar esses novos meios de transporte no cotidiano das cidades.

A reportagem também aborda acidentes envolvendo veículos leves e meios de transporte maiores. Entre os casos apresentados está a morte do menino Chico, de 9 anos, e de sua mãe, atropelados por um ônibus em uma rua da zona norte do Rio de Janeiro, em março de 2026. Os dois estavam em um autopropelido no momento do acidente.

O pai do menino, o roteirista Vinicius Cacofonias, também participou da reportagem e falou sobre os riscos envolvidos. O caso é utilizado pelo programa para mostrar que, apesar de acidentes graves envolvendo esses veículos não representarem necessariamente a maioria das ocorrências, suas consequências podem ser extremamente graves para as famílias envolvidas.

A regulamentação atual do Contran diferencia três categorias principais. As bicicletas elétricas precisam de propulsão humana e utilizam pedal assistido; os autopropelidos podem ter pedal ou não e não dependem da propulsão humana para acelerar, com velocidade máxima de 32 km/h; já os ciclomotores também não dependem da propulsão humana e podem alcançar até 50 km/h.

As bicicletas elétricas e os autopropelidos não exigem habilitação do condutor nem licenciamento do veículo, enquanto os ciclomotores estão sujeitos a registro e licenciamento e exigem habilitação na categoria A ou ACC. A diferenciação é importante porque veículos visualmente semelhantes podem estar submetidos a regras distintas de circulação.

A edição “Bicicletas Elétricas: Mobilidade com desafios” foi produzida pela TV Brasil com reportagem de Fernanda Cruz, produção e edição de texto de Vitor Gagliardo e Vitor Abdala e reportagem cinematográfica de Sandro Tebaldi. O conteúdo foi disponibilizado pela EBC em 12 de agosto e levado ao ar na segunda-feira (17), às 23h.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui