Novas projeções indicam que o El Niño de 2026-2027 pode alcançar uma intensidade excepcional, com possibilidade de superar os principais episódios registrados nas últimas décadas. A informação foi publicada pelo InfoMoney neste domingo (16), com base em dados atualizados em agosto e em análises da MetSul Meteorologia. Os modelos citados pela reportagem projetam uma anomalia de temperatura próxima ou superior a 4°C na região Niño 3.4 durante o pico previsto para o fim do ano.
A previsão ocorre em meio a sinais de rápido aquecimento do Pacífico Equatorial. Segundo a MetSul, o índice tradicional de acompanhamento do fenômeno chegou a uma anomalia semanal de 2,6°C, enquanto o patamar de 2°C foi alcançado ainda em julho, em um momento do ano considerado excepcionalmente precoce para um El Niño dessa intensidade. O meteorologista Eric Webb afirmou estar “muito confiante” de que o episódio poderá ser o mais forte da série histórica instrumental e superar eventos registrados em 1877-1878, 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
Os dados oficiais mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados em 13 de agosto, confirmam a aceleração do fenômeno. A agência informou que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Oriental já apresentavam anomalias superiores a 2°C e registrou, em julho, +1,4°C na região Niño 3.4, +1,7°C na Niño 3 e +2,9°C na Niño 1+2. A NOAA calcula mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o outono e inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.
A Organização Meteorológica Mundial também acompanha a intensificação. Em sua atualização de 31 de julho, a entidade afirmou que o El Niño deveria continuar se fortalecendo durante agosto-outubro de 2026, com modelos indicando anomalias médias superiores a 2,9°C em regiões importantes de monitoramento. A OMM prevê que o fenômeno altere os padrões de temperatura e precipitação em diversas partes do planeta, aumentando em determinadas regiões os riscos de secas, chuvas intensas, enchentes e incêndios.
No Brasil, os efeitos tendem a variar conforme a região. O padrão climático associado ao El Niño costuma favorecer maior volume de chuva no Sul, enquanto pode aumentar a ocorrência de períodos secos em partes da Amazônia, do Norte e do Nordeste. O aquecimento também pode afetar a agricultura, os recursos hídricos e a geração de energia, além de elevar o risco de queimadas em áreas mais secas. Por isso, embora a intensidade final do episódio ainda seja uma projeção, os dados disponíveis até 17 de agosto já apontam para um fenômeno que exige acompanhamento e preparação.













