Agro cobra estratégia de Estado para fortalecer proteína animal

A agroindústria brasileira precisa de uma estratégia de Estado capaz de integrar financiamento, comércio exterior, tecnologia, industrialização e segurança institucional para ampliar a competitividade das cadeias de proteína animal. A avaliação esteve entre os principais pontos discutidos durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado em São Paulo pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e pela B3.

O congresso reuniu mais de 800 participantes no Sheraton WTC São Paulo Hotel e teve mais de 3 mil visualizações na transmissão online. Na abertura, o presidente da ABAG, Ingo Plöger, defendeu uma agenda de longo prazo para o país, com instrumentos capazes de sustentar investimentos e reduzir os riscos enfrentados pelo setor produtivo. “Queremos ser uma nação de oportunidades e traduzir nossos anseios em um país que possa trabalhar de forma consequente”, afirmou.

Plöger também destacou a necessidade de aproximar o agronegócio da indústria e defendeu maior integração entre setores e agentes econômicos e sociais. “O Brasil precisa de pacificação, harmonia, trabalho e visão de longo prazo”, disse. Para as cadeias de carnes bovina, suína e de aves, a avaliação tem impacto direto sobre a capacidade de ampliar investimentos, produção, processamento e presença nos mercados internacionais.

Durante a mesa “Novo Governo: Prioridades e Compromissos”, candidatos à Presidência — Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro — foram questionados sobre ambiente institucional e regulatório, desenvolvimento científico e tecnológico, infraestrutura, logística, financiamento e os efeitos das transformações geopolíticas sobre a competitividade brasileira.

O pesquisador Alberto Pfeifer, Senior Policy Fellow do Insper Agro, ressaltou a posição conquistada pelo Brasil na produção tropical e o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nesse processo. “O Brasil domina a produção tropical. Isso é algo valioso. E a Embrapa foi estratégica para a geopolítica como braço público”, afirmou. Na avaliação dele, o país precisa utilizar tecnologia e informação para compreender melhor o modelo global e ampliar sua inserção internacional.

O financiamento apareceu como outro dos principais gargalos. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, afirmou que o elevado endividamento do agronegócio continuará sendo um desafio, em um cenário de juros e inflação pressionando produtores e empresas. Segundo ele, será necessário encontrar mecanismos capazes de melhorar as condições de financiamento sem provocar distorções nos demais segmentos da economia.

Vale também chamou atenção para a concorrência de produtos chineses no mercado brasileiro, principalmente em razão dos preços competitivos. Nesse cenário, a ampliação dos acordos comerciais e a diversificação das relações externas foram apontadas como instrumentos para fortalecer a posição do Brasil no comércio internacional. O presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, lembrou que o país já ocupa posições de liderança em mercados como açúcar e soja, mas essa relevância também aumenta a exposição às mudanças do cenário global.

No encerramento do congresso, o ex-presidente Michel Temer defendeu o fortalecimento das exportações, o multilateralismo e a segurança institucional. Para o setor de proteína animal, que possui forte dependência do acesso a mercados externos, a manutenção de relações comerciais diversificadas é considerada fundamental. “É fundamental que as exportações continuem fortes para sustentar o PIB brasileiro e a relação comercial com o mundo”, afirmou Temer.

O ex-presidente também relacionou o avanço da agroindústria ao processo de industrialização brasileira. “O fortalecimento da agroindústria contribui para ampliar a industrialização e a capacidade produtiva do País”, declarou. A discussão converge com a defesa apresentada ao longo do congresso de que o Brasil não deve se limitar ao aumento da produção, mas ampliar o processamento, a agregação de valor e a utilização de tecnologia.

A inovação e a verticalização também estiveram entre os temas abordados. O congresso contou com o espaço Future Flash, dedicado a novas ideias e oportunidades para o agronegócio. Foram discutidos o avanço das tecnologias digitais, a verticalização como forma de gerar valor e alternativas para transformar desafios ambientais em oportunidades para o setor produtivo.

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