A informação é real. Segundo estudo do centro de pesquisas Reglab, financiado pela OpenAI e divulgado em 13 de agosto de 2026, a inteligência artificial poderá acrescentar R$ 986,7 bilhões à economia brasileira entre 2027 e 2030. O valor corresponde a 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2026 e considera ganhos de produtividade decorrentes do uso da tecnologia por trabalhadores, máquinas e processos produtivos.
A pesquisa estima que 65% desse impacto positivo virá do aumento da eficiência da força de trabalho, com profissionais utilizando ferramentas de IA para automatizar tarefas e melhorar processos de tomada de decisão. Os outros 35% seriam resultado do aumento da produtividade do capital, incluindo máquinas, infraestrutura e processos de produção. “Quando se fala em IA aumentando o PIB, a ideia é que essas ferramentas possam ajudar a produzir mais com os recursos já existentes”, afirmou João Ricardo Costa Filho, líder do núcleo de economia aplicada do Reglab.
A indústria de transformação aparece como o setor com maior potencial de ganho, estimado em R$ 264,2 bilhões. Na sequência estão outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões. O impacto, porém, deve ocorrer de maneiras diferentes: setores com maior densidade cognitiva, como o financeiro, tendem a obter ganhos principalmente pelo trabalho, enquanto o agronegócio terá impacto concentrado na modernização de máquinas e equipamentos.
No agronegócio, o estudo calcula um ganho potencial de R$ 48,2 bilhões, sendo 92% desse resultado associado ao capital físico, por meio de tecnologias como colheitadeiras, drones e sistemas de pulverização. Já no setor financeiro, a estimativa aponta que 87% do impacto positivo ocorreria pelo canal do trabalho, com o uso de modelos de IA para acelerar avaliações de risco, análise de informações e revisão de documentos.
O levantamento não calcula possíveis perdas de postos de trabalho provocadas pela inteligência artificial. A metodologia considera a adoção da tecnologia em tarefas específicas, e não a substituição completa de profissões. Segundo Thaís Palanca, pesquisadora de economia do Reglab e uma das autoras do estudo, a intenção foi avaliar quais atividades poderiam ser potencializadas pela tecnologia, como tarefas mecânicas que consomem tempo dos profissionais.
A pesquisa também ressalta que o resultado projetado depende de condições para a expansão da tecnologia no país. Entre os obstáculos estão o custo elevado do crédito, gargalos de infraestrutura, baixo letramento tecnológico e falta de acesso à internet em determinadas regiões, especialmente áreas rurais. Marina Gonçalves Garrote, diretora de pesquisa do Reglab, afirmou que a infraestrutura e a capacitação exigem participação ativa do poder público para que os ganhos potenciais sejam efetivamente alcançados.












