EUA recolhem 13,4 toneladas de carne argentina por falha sanitária

Os Estados Unidos determinaram o recolhimento de aproximadamente 13,44 toneladas de carne bovina in natura importada da Argentina após o Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos (FSIS), ligado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), identificar que os produtos entraram no mercado norte-americano sem passar pela reinspeção sanitária obrigatória. A medida foi anunciada pelo órgão federal em 7 de agosto de 2026 e envolve cerca de 29.628 libras de carne.

O recolhimento está sendo realizado pela Corte Argentino USA LLC, empresa localizada em Aventura, na Flórida. Os produtos foram processados pelo Frigorífico Gorina SAIC, na Argentina, entre 15 e 20 de maio de 2026. As mercadorias têm datas de uso ou congelamento que variam de 15 a 20 de setembro deste ano e foram distribuídas para varejistas e distribuidores nos estados da Flórida e do Texas.

De acordo com o FSIS, a irregularidade foi descoberta durante atividades rotineiras de fiscalização. A legislação norte-americana exige que produtos cárneos importados passem por uma reinspeção após a entrada no país antes de serem comercializados. Essa etapa verifica requisitos relacionados à documentação, rotulagem, embalagem, origem e condições sanitárias dos produtos. Nesse caso, a carne foi distribuída sem ter recebido essa verificação obrigatória.

O recall inclui diferentes cortes desossados produzidos pelo Frigorífico Gorina SAIC, entre eles Top Sirloin Butt, correspondente ao quadril sem capa; Eye Round, o peceto; Topside Cap Off, a nalga; Flat, a carnaza cuadrada; e Knuckle, conhecida como bola de lomo. As embalagens são de peso variado e devem apresentar o número do estabelecimento argentino “EST. N° OF. 2025” e a marca de embarque “26644-AA”.

Até o momento da atualização desta reportagem, não havia registros confirmados de doenças ou ferimentos relacionados ao consumo da carne recolhida. Mesmo assim, o FSIS recomenda que consumidores que tenham comprado os produtos não os consumam, devendo descartá-los ou devolvê-los ao estabelecimento onde foram adquiridos. A orientação é especialmente relevante porque algumas das datas de validade ou congelamento ainda estão no futuro, entre 15 e 20 de setembro de 2026.

O caso foi classificado pelo USDA como recall de Classe I, categoria aplicada quando existe uma probabilidade razoável de que o consumo do produto possa provocar consequências graves à saúde ou morte. A classificação, porém, não significa que o órgão tenha confirmado contaminação ou que já tenham ocorrido casos de doença relacionados à carne. Neste episódio, a irregularidade apontada é a entrada dos produtos no comércio sem a reinspeção federal exigida.

A ocorrência também ganhou atenção porque acontece pouco depois de os Estados Unidos ampliarem a cota anual de importação de carne bovina argentina com isenção tarifária, de 20 mil para 100 mil toneladas, em meio às negociações comerciais entre os dois países. O recall, entretanto, está relacionado especificamente ao cumprimento das regras sanitárias de importação e não representa, até o momento, uma suspensão geral das compras de carne argentina pelos Estados Unidos.

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