As suspeitas de irregularidades envolvendo contratos da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá reacenderam denúncias que já vinham sendo feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) desde 2021. O tema voltou ao debate após a própria Prefeitura de Cuiabá divulgar indícios de possíveis problemas na aquisição de materiais didáticos, situação que pode ter provocado prejuízos milionários aos cofres públicos.
Segundo o Sintep-MT, os questionamentos relacionados à compra de livros e materiais pedagógicos já haviam sido encaminhados anteriormente ao Ministério Público de Mato Grosso, ainda durante a passagem de Amauri Monge Fernandes pela Secretaria de Estado de Educação. A entidade afirma que, naquele período, houve preocupação com a utilização de recursos públicos para aquisição de materiais de empresas privadas, mesmo com a disponibilidade gratuita de conteúdos fornecidos pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal.
A polêmica ganhou novos contornos após a gestão do prefeito Abilio Brunini anunciar uma investigação interna sobre contratos da rede municipal de ensino. De acordo com a prefeitura, foram identificadas possíveis irregularidades envolvendo a compra de materiais didáticos, com estimativa inicial de prejuízo que pode chegar a R$ 80 milhões. Parte dos pagamentos foi suspensa e o caso foi encaminhado para órgãos de controle e fiscalização, incluindo Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas.
Representantes do sindicato defendem que os recursos destinados à educação deveriam priorizar investimentos estruturais e a valorização dos profissionais da área. A entidade também critica a substituição de materiais distribuídos gratuitamente pelo governo federal por conteúdos adquiridos através de contratos questionados, apontando que essa prática pode representar desperdício de dinheiro público e comprometer a qualidade do ensino oferecido aos estudantes.
Enquanto as denúncias avançam, o Ministério Público Estadual já instaurou procedimento para apurar os fatos. Paralelamente, o Tribunal de Contas de Mato Grosso anunciou a ampliação das investigações para analisar contratos semelhantes em outras esferas da administração pública. O objetivo é verificar se os indícios encontrados em Cuiabá podem estar relacionados a um cenário mais amplo envolvendo aquisições de materiais didáticos no estado.
Até o momento, não houve manifestação pública de Amauri Monge Fernandes sobre as acusações citadas nas denúncias. As apurações seguem em andamento e deverão servir de base para possíveis medidas administrativas, civis ou criminais, caso sejam confirmadas irregularidades na aplicação dos recursos destinados à educação pública.












