O porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, afirmou nesta terça-feira (12) que o Irã poderá considerar o enriquecimento de urânio a 90%, nível considerado adequado para a fabricação de armas nucleares, caso o país volte a sofrer ataques dos Estados Unidos. A declaração foi publicada na rede social X, antigo Twitter, e descrita pelo parlamentar como “uma das opções” disponíveis diante da escalada militar no Oriente Médio.
A ameaça ocorre em meio ao impasse nas negociações para consolidar um cessar-fogo definitivo após a guerra iniciada em fevereiro de 2026, quando Israel e Estados Unidos lançaram ofensivas contra instalações iranianas. Embora um cessar-fogo tenha sido firmado em abril, as conversas seguem travadas. O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a contraproposta apresentada por Teerã, classificando o documento como “inaceitável” e ameaçando retomar os bombardeios caso não haja novas concessões iranianas.
Segundo especialistas e relatórios internacionais, o Irã possui atualmente cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, percentual considerado próximo ao nível weapons-grade. Técnicos afirmam que, com esse estoque, o país poderia alcançar os 90% de enriquecimento em questão de semanas, caso tome a decisão política de avançar. O tema preocupa potências ocidentais porque níveis acima de 20% ultrapassam os limites aceitos pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) para programas civis.
As instalações nucleares iranianas, incluindo Natanz e Fordow, sofreram danos significativos em ataques realizados por Israel e EUA ao longo de 2025. Ainda assim, parte relevante do estoque enriquecido sobreviveu, principalmente em áreas subterrâneas na região de Esfahan. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) enfrenta dificuldades para monitorar completamente os locais atingidos, o que amplia a preocupação internacional sobre um possível “breakout”, termo usado para definir a rápida produção de material suficiente para bombas nucleares.
Nas negociações atuais, os Estados Unidos exigem a suspensão prolongada, por até 20 anos, do enriquecimento de urânio pelo Irã, além do desmantelamento de instalações nucleares, transferência do estoque enriquecido para outro país e limitações sobre mísseis balísticos e grupos aliados regionais, como Hezbollah e Hamas. O governo iraniano rejeita a política de “enriquecimento zero” e insiste que o programa nuclear é um direito soberano para fins pacíficos.
A proposta iraniana inclui uma suspensão temporária do enriquecimento, possível diluição ou transferência parcial do estoque para terceiros países, além de garantias de segurança, suspensão de sanções econômicas, compensações pelos ataques e reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Teerã também exige o fim definitivo da guerra, incluindo conflitos relacionados ao Líbano. Até o momento, não há confirmação pública de que o Irã tenha iniciado efetivamente o enriquecimento a 90%, mas a ameaça reforça o aumento da tensão diplomática e militar na região.













