Alta Floresta celebra 50 anos de história e transformação na Amazônia

Alta Floresta completou 50 anos nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, consolidando uma trajetória marcada pela colonização privada, crescimento econômico e desenvolvimento regional no extremo norte de Mato Grosso. Fundada oficialmente em 19 de maio de 1976, a cidade nasceu em meio à floresta amazônica como parte de um ousado projeto liderado pelo empresário paulista Ariosto da Riva, conhecido nacionalmente como “O Último Bandeirante”.

A origem do município está diretamente ligada à atuação da empresa Indeco (Integração, Desenvolvimento e Colonização), responsável pela abertura de estradas, implantação de infraestrutura e atração de famílias vindas principalmente das regiões Sul e Sudeste do país. Em 1973, Ariosto da Riva adquiriu cerca de 400 mil hectares de terras na região e iniciou os trabalhos que dariam origem à cidade. A abertura da primeira clareira e o início do desmatamento urbano marcaram oficialmente a fundação de Alta Floresta em 1976, após aproximadamente três anos de obras em estradas como a MT-208, realizadas com apoio do 9º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército.

O nome Alta Floresta faz referência à mata alta e densa característica da região amazônica. Em 1977, a localidade foi transformada em distrito subordinado ao município de Aripuanã, por meio da Lei Estadual nº 3.921. Já em 18 de dezembro de 1979, conquistou a emancipação político-administrativa através da Lei Estadual nº 4.157, sendo oficialmente instalada em 1981. O rápido crescimento chamou atenção nacional à época, tanto que o então presidente João Figueiredo visitou a cidade em 1980. Ariosto da Riva destacava com orgulho o fato de Alta Floresta ter alcançado a condição de município em cerca de quatro anos.

Ao longo das décadas, o município enfrentou desafios relacionados ao isolamento, às estradas de terra e às dificuldades impostas pela floresta amazônica. Mesmo assim, conseguiu se consolidar como um dos principais polos regionais do Nortão mato-grossense. A economia passou por diferentes ciclos, começando pela agricultura, avançando pelo garimpo, exploração madeireira e pecuária, até chegar ao atual cenário de expansão do agronegócio, fortalecimento do setor de serviços e crescimento do turismo ecológico, especialmente na região do Rio Cristalino.

De acordo com dados atualizados, Alta Floresta possui atualmente cerca de 62.158 habitantes, conforme estimativa do IBGE para 2025. O Censo de 2022 havia registrado 58.613 moradores. Com área territorial entre 8.947 e 8.953 quilômetros quadrados, a cidade mantém baixa densidade populacional, característica comum da região amazônica. O município também se destaca pelo ambiente empreendedor, com mais de 8 mil empresas ativas e predominância de pequenos negócios, responsáveis por aproximadamente 93% da atividade econômica local. O orçamento previsto para 2026 gira em torno de R$ 439 milhões.

Sob a administração do prefeito Valdemar Gamba, o Chico Gamba, reeleito em 2024, Alta Floresta busca equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental. A recuperação de áreas degradadas, o planejamento urbano e o fortalecimento do turismo sustentável estão entre os principais desafios e metas da cidade para os próximos anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) registrado em 2010 foi de 0,714, considerado alto.

As comemorações pelos 50 anos foram marcadas por extensa programação cívica, cultural e religiosa. Entre os destaques, o desfile cívico realizado na tarde de ontem (19), homenagens aos pioneiros, missa de ação de graças, caminhada comemorativa, exposições culturais e o tradicional bolo gigante.

Símbolo da ocupação planejada da Amazônia mato-grossense, Alta Floresta chega ao cinquentenário consolidada como referência econômica e urbana no norte do estado. Com o lema “Nada resiste ao trabalho”, o município celebra não apenas sua história, mas também as perspectivas de continuidade do crescimento aliado à sustentabilidade e à valorização da identidade amazônica.

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