Deepfakes sexuais crescem e expõem meninas à violência digital

O avanço da inteligência artificial tem ampliado um tipo de violência que preocupa especialistas em crimes cibernéticos: a criação de deepfakes sexuais envolvendo meninas e mulheres. O problema ganhou destaque neste 18 de maio, Dia de Combate ao Abuso Sexual Infantil, data que lembra o caso da menina Araceli Cabrera Crespo, assassinada em 1973. Profissionais que atuam no enfrentamento desse tipo de crime alertam que a prática está se tornando cada vez mais comum no Brasil.

Os deepfakes são imagens, vídeos ou áudios criados ou manipulados por inteligência artificial para parecerem reais. Entre os casos mais graves está a chamada “nudificação”, quando ferramentas de IA alteram fotografias para criar imagens falsas de nudez sem o consentimento da vítima. Segundo especialistas, meninas estão entre os principais alvos desse tipo de conteúdo, que se espalha rapidamente em redes sociais, aplicativos de mensagens e fóruns clandestinos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou neste ano que imagens sexualizadas de crianças geradas por IA devem ser tratadas como material de abuso sexual infantil. A entidade alertou que o dano causado é real, mesmo quando as imagens são artificiais. Dados da SaferNet mostram que a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu centenas de links relacionados a deepfakes sexuais e conteúdos artificiais de exploração infantil desde 2023.

Além da exposição e do constrangimento, especialistas apontam impactos psicológicos profundos para as vítimas, incluindo medo, ansiedade e isolamento social. Organizações internacionais também alertam que a violência digital baseada em IA tem levado mulheres a se afastarem de espaços públicos e redes sociais por receio de ataques virtuais. Enquanto a tecnologia avança rapidamente, autoridades e entidades de proteção cobram atualização das leis, reforço na fiscalização das plataformas e mecanismos mais rígidos para impedir a disseminação desse tipo de conteúdo.

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