O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington. Classificada oficialmente como uma visita “de trabalho”, a reunião acontece em meio a tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países e deve concentrar esforços em temas econômicos e de segurança considerados sensíveis pelos dois governos.
Lula chegou aos Estados Unidos acompanhado de uma comitiva formada por integrantes da área econômica, diplomática e de segurança. Estão na viagem os ministros Mauro Vieira, Dario Durigan e Wellington César Lima e Silva, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O encontro entre os chefes de Estado está previsto para ocorrer ao meio-dia, no horário de Brasília.
Entre os principais assuntos da pauta está a tentativa do governo brasileiro de negociar a revisão de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, especialmente aço, alumínio e itens do agronegócio. O tema ganhou ainda mais peso após medidas comerciais adotadas por Washington nos últimos meses, consideradas prejudiciais por setores exportadores brasileiros. O governo Lula busca reduzir barreiras e evitar novas restrições comerciais.
Outro ponto estratégico envolve os chamados minerais críticos e raros. Os Estados Unidos demonstraram interesse em ampliar parcerias com o Brasil para exploração e fornecimento desses recursos, considerados fundamentais para setores tecnológicos, energéticos e militares. A aproximação ocorre em um cenário de disputa global por cadeias de suprimentos e redução da dependência internacional de fornecedores ligados à China.
A agenda também inclui discussões sobre combate ao crime organizado e cooperação em segurança pública. Autoridades americanas defendem maior integração no compartilhamento de informações e discutem a possibilidade de classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. O tema, porém, é visto com cautela pelo governo brasileiro e pode se tornar um dos principais pontos de divergência durante as conversas.
Além disso, os dois governos devem abordar questões regulatórias e comerciais envolvendo o Pix, debates sobre propriedade intelectual e o cenário geopolítico internacional, especialmente os reflexos da crise envolvendo o Irã. Apesar da amplitude dos temas, especialistas ouvidos por diferentes veículos avaliam que a expectativa é de um encontro pragmático, sem grandes anúncios ou acordos de impacto imediato.
Analistas como Leonardo Paz, da FGV, Denilde Holzhacker, da ESPM, André Senna Duarte, da PUC-Rio, e Otto Nogami apontam que a reunião representa uma tentativa de reconstrução institucional do diálogo entre Brasília e Washington após meses de ruídos diplomáticos. O encontro também ocorre depois de adiamentos anteriores, inicialmente previstos para março, e em meio à imprevisibilidade característica do estilo político de Donald Trump.













