UFPR e Polícia Civil investigam grupo suspeito de planejar estupros coletivos e organizar “bolão” contra alunas

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Polícia Civil do Paraná investigam denúncias de que um grupo de homens, possivelmente estudantes da instituição, planejava cometer estupros coletivos contra alunas e organizava apostas em dinheiro para definir quem conseguiria violentar primeiro as vítimas.

O caso veio à tona após o Diretório Acadêmico Nilo Cairo (DANC), do curso de Medicina, divulgar uma nota alertando a comunidade universitária. Segundo o diretório, uma estudante de Medicina vinha sendo perseguida (stalking) e recebia ameaças via aplicativo de mensagens. A aluna foi alertada por mensagens anônimas que enviavam prints de conversas de um grupo virtual, nas quais os envolvidos detalhavam a rotina dela, discutiam formas de encurralá-la e promoviam um “bolão” com prêmios em dinheiro, chegando a R$ 40, para quem cometesse o crime primeiro.

De acordo com as denúncias, o grupo não se limitava a uma única vítima: outras alunas de Medicina, de diferentes cursos da UFPR e até mulheres externas à universidade teriam sido citadas como possíveis alvos. As conversas incluíam planos de violência sexual coletiva.

Medidas adotadas

A UFPR informou que:

  • Instaurou investigação interna para apurar se os autores das ameaças são estudantes da universidade.
  • Teve acesso aos prints das mensagens e está verificando a origem das ameaças.
  • Ofereceu apoio psicológico à estudante vítima e a outras alunas afetadas.
  • Solicitou reforço no policiamento no entorno dos campi, ampliou a iluminação e estuda a instalação de mais câmeras de segurança.
  • A Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia da Mulher, abriu inquérito policial para investigar os crimes de ameaça, perseguição (stalking), incitação à violência e possível associação criminosa. Até o momento, não há informações oficiais sobre prisões ou identificação pública dos envolvidos.

Posicionamento das instituições

A reitoria da UFPR afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que está acompanhando as investigações. Caso seja confirmado que os autores são estudantes, a universidade poderá abrir Processo Administrativo Disciplinar, que pode resultar em suspensão ou expulsão.

A Polícia Civil ainda não se manifestou com detalhes sobre o andamento do inquérito.

O caso gerou grande comoção e temor entre as alunas da UFPR, especialmente no curso de Medicina. O Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar) também recebeu denúncias relacionadas ao episódio.

Até a publicação desta reportagem, não há confirmação oficial de que todos os participantes do suposto grupo sejam estudantes da UFPR, embora as denúncias apontem forte indício nesse sentido.

A investigação segue em andamento tanto na esfera universitária quanto na policial.

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