Justiça cobra explicação por sigilo em gravação em creche

A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura da capital apresente explicações sobre o sigilo imposto ao processo administrativo que autorizou a gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo em uma escola municipal de educação infantil. A decisão foi proferida pelo juiz Josué Vilela Pimentel, da 8ª Vara da Fazenda Pública, e estabelece prazo de 15 dias para que o município torne público o conteúdo do processo e justifique a medida.

O caso envolve a utilização da EMEI Patrícia Galvão, em São Paulo, como cenário para o documentário “Pedagogia do abandono”. A ação judicial foi movida por integrantes da Bancada Feminista do PSOL, que questionam a legalidade da autorização concedida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes. Segundo o magistrado, o sigilo em processos administrativos é medida excepcional e deve ser devidamente fundamentado, conforme o princípio da publicidade previsto na Constituição.

Apesar de reconhecer a relevância do pedido, o juiz negou a suspensão da autorização e a proibição do uso das imagens já gravadas. Ele considerou que a medida seria ineficaz, uma vez que o documentário já foi produzido e está em circulação na plataforma da produtora. O magistrado também apontou que impedir a exibição poderia configurar censura prévia, prática vedada pela Constituição Federal.

A controvérsia teve início após denúncias da comunidade escolar sobre a realização das gravações dentro da unidade. De acordo com relatos, professores, funcionários e familiares não teriam sido informados previamente sobre o teor do documentário, que critica a educação infantil e associa políticas educacionais à chamada “ideologia de gênero”. A situação gerou protestos e mobilização de pais e profissionais da educação.

Além disso, há questionamentos sobre possível pressão de órgãos da própria prefeitura, como a Secretaria de Educação e a Spcine, para que a escola autorizasse as filmagens. O caso também foi levado ao Ministério Público, que deverá se manifestar após a apresentação das informações solicitadas pela Justiça.

Em resposta, a Prefeitura de São Paulo confirmou que autorizou as gravações e afirmou que segue procedimentos padrão para esse tipo de solicitação. A gestão municipal declarou ainda que a responsabilidade sobre o uso de imagem e participação de menores é dos produtores, mas não esclareceu se tinha conhecimento prévio do conteúdo do documentário no momento da autorização.

Co, informações de ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui