Um caso de estupro envolvendo um tenente da Polícia Militar do Amazonas ganhou novos e graves desdobramentos. A deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), presidente da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), denunciou publicamente que a vítima, uma jovem de 25 anos, foi sequestrada e coagida para retirar a denúncia contra o policial.
O tenente Osvaldo Lima da Silva, conhecido como “Grilo”, está preso preventivamente desde o dia 12 de abril de 2026. Ele é acusado de estuprar a jovem durante uma abordagem policial em uma barreira na Avenida Torquato Tapajós, bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. Segundo o relato da vítima, ela foi colocada em uma viatura e levada para uma sala interna do posto, onde o abuso teria ocorrido.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque o tenente já respondia a outro processo por estupro de vulnerável (ocorrido há cerca de dez anos, quando a vítima tinha apenas 8 anos). Novas denúncias de outras possíveis vítimas também surgiram durante as investigações.
Tentativa de coação
No último sábado (25 de abril), a jovem foi abordada por telefone por pessoas que se passaram por servidores da Procuradoria da Mulher da Aleam. Elas ofereceram “ajuda de custo” e a convenceram a entrar em um carro. Dentro do veículo estavam a companheira do tenente, Kamila Fernanda, e o advogado de defesa Matheus de Souza Ferreira.
A vítima ficou em cárcere privado por cerca de duas horas e recebeu uma proposta de R$ 100 mil (supostamente arrecadados por vaquinha) para retirar a denúncia. Ela recusou a oferta. A deputada Alessandra Campelo classificou o episódio como grave tentativa de intimidação e coação e cobrou rigor nas investigações.
A vítima e seus dois filhos foram colocados em local seguro com escolta policial, por determinação do governo do Amazonas.
Investigação em andamento
A Polícia Civil do Amazonas investiga os crimes de estupro, sequestro e coação de testemunha. A deputada Alessandra Campelo tem acompanhado o caso de perto e reforçado a necessidade de proteção às vítimas e punição exemplar.
O Comando da Polícia Militar informou que o tenente está afastado das funções e que colabora com as apurações.
Este caso tem gerado forte comoção na sociedade amazonense e reacendido o debate sobre violência sexual cometida por agentes de segurança e a necessidade de maior proteção às mulheres que denunciam abusos.












