A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar a entrada irregular de cinco malas no Brasil que não passaram por inspeção de raio-X. O caso envolve o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O voo particular retornava da ilha de São Martinho, no Caribe, local considerado paraíso fiscal pela Receita Federal, em um jatinho pertencente ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG. Ele é dono de empresas de apostas online que operam o Fortune Tiger, popularmente chamado de “jogo do tigrinho”.
De acordo com a investigação, ao chegar em São Paulo, as cinco malas foram liberadas sem passar pelo raio-X por decisão de um auditor fiscal da Receita Federal. A PF apura possíveis crimes de facilitação de contrabando ou descaminho e prevaricação. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver autoridades com foro privilegiado.
Além de Motta e Ciro Nogueira, estavam no voo os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Hugo Motta confirmou à imprensa que participou da viagem, mas afirmou que “cumpriu todos os protocolos e determinações da legislação aduaneira”. Ciro Nogueira e os outros parlamentares ainda não se manifestaram publicamente sobre o caso.
Esta não é a primeira vez que Ciro Nogueira viaja no jatinho do mesmo empresário. Em maio de 2025, ele já havia utilizado outra aeronave de Fernandin OIG para uma viagem à Europa, período em que o empresário era alvo da CPI das Bets no Senado.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais nesta terça-feira (28) e reacende o debate sobre a relação entre parlamentares e o setor de apostas online.












