Força-tarefa resgata 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão em SP

Uma operação realizada entre os dias 14 e 15 de abril de 2026 resgatou 35 trabalhadores que viviam em condições análogas à escravidão em uma fazenda de cana-de-açúcar em Terra Roxa, a cerca de 82 km de Ribeirão Preto. A ação foi conduzida por uma força-tarefa formada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal (PF).

Os trabalhadores, oriundos de Minas Gerais e Bahia, foram aliciados por um empreiteiro que atuava em nome de uma empresa agrícola. Eles estavam alojados em cinco estruturas (algumas reportagens citam quatro principais) marcadas por condições degradantes, como colchões de baixa densidade diretamente no chão, ausência de móveis, falta de roupa de cama e chuveiros improvisados com garrafas PET. Também foram identificadas umidade excessiva nas lavanderias, superlotação e condições precárias de higiene.

Parte dos trabalhadores já se preparava para deixar o local por conta própria, sem receber salários ou garantias trabalhistas. Diante da gravidade, três dos alojamentos foram interditados pelas equipes de fiscalização. Após o resgate, o grupo foi encaminhado para um hotel em Bebedouro, com os custos inicialmente pagos pela empresa contratante.

Como a empresa responsável não possuía recursos para quitar as verbas rescisórias, a usina beneficiária da produção, mesmo sem vínculo direto, realizou uma doação voluntária de R$ 500.776,46. O valor foi distribuído diretamente aos trabalhadores, sob supervisão do MPT e de auditores fiscais, garantindo o retorno deles aos estados de origem.

O procurador do MPT, Marcelo Bianchini Trentin, que esteve a frente do Ministério Público do Trabalho em Alta Floresta no início de sua carreira, classificou a situação como uma “grave situação humanitária” e destacou que a prioridade foi interromper a exploração. O órgão deve emitir uma notificação recomendatória para reforçar a fiscalização da cadeia produtiva da usina. O caso segue sob investigação quanto ao aliciamento e às responsabilidades, embora a fase de resgate e pagamento já tenha sido concluída até 19 de abril de 2026.

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