Operações da PF investigam desvios em recursos da Covid e miram empresários que atuaram em MT

A Polícia Federal deflagrou, em 15 de abril de 2026, as Operações Rio Vermelho e Makot Mitzrayim com o objetivo de investigar irregularidades na aplicação de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19. A ação contou com parceria da Controladoria-Geral da União (CGU) e apoio do Gaeco e do Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO), resultando no cumprimento de 50 mandados judiciais, incluindo buscas, apreensões e prisões preventivas em estados como Goiás, Tocantins, Maranhão, Distrito Federal e São Paulo.

A Operação Rio Vermelho, que concentrou 28 mandados de busca e quatro prisões preventivas, apura suspeitas envolvendo a gestão de um hospital de campanha administrado por organização social. As investigações apontam possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, peculato-desvio, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações, com indícios de direcionamento de contratos, simulação de concorrência e práticas como quarteirização e quinteirização de serviços.

Entre os alvos estão empresários ligados à Mediall Brasil S.A., atualmente registrada como MITTEL S.A., incluindo Hilton Rinaldo Salles Piccelli, Rudson Teodoro da Silva e Roberto Leandro de Carvalho Garcia, este último com relatos de prisão decretada ou situação de procura em alguns veículos. A empresa atuou em Mato Grosso, com serviços em unidades de saúde em Várzea Grande e Tangará da Serra, além de ter administrado o Hospital Metropolitano de Várzea Grande entre 2020 e 2024, em contratos que chegaram a aproximadamente R$ 6,6 milhões junto à Secretaria de Estado de Saúde.

As apurações também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo a empresa MED Facil Serviços Médicos Ltda., sediada em Goiânia, apontada como possível empresa de fachada. Segundo os investigadores, cerca de R$ 757 mil teriam sido pulverizados em pagamentos, levantando indícios de uso de estruturas empresariais para ocultar ou desviar recursos públicos por meio de contratos superfaturados e intermediação de organizações sociais.

Após as prisões, a Justiça concedeu liberdade a pelo menos três dos empresários investigados, incluindo Hilton Piccelli e Rudson Teodoro, enquanto o caso segue em fase de investigação. As autoridades continuam analisando documentos, movimentações financeiras e depoimentos para esclarecer o funcionamento do suposto esquema. Até o momento, não há condenações, e o processo permanece em estágio preliminar, com foco principal nas contratações em Goiás e possíveis ramificações em outros estados.

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