O coronel José Augusto Coutinho deixou o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) após pedir para ir à reserva. A saída foi oficializada pelo governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, no dia 16 de abril de 2026. Para o lugar dele, foi nomeada a coronel Glauce Anselmo Cavalli, que até então atuava no Centro de Comunicação Social da corporação e se tornou a primeira mulher a assumir o comando da PM paulista.
A mudança ocorre em meio a um inquérito conduzido pela Corregedoria da PM que investiga a atuação de policiais militares em um esquema de escolta ilegal para diretores de empresas de ônibus supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O nome de Coutinho foi citado no depoimento do sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro de 2026 sob acusação de prestar esse tipo de serviço à empresa Transwolff. Segundo o militar, o então comandante teria conhecimento da atuação de policiais na segurança privada irregular.
As empresas Transwolff e UpBus já haviam sido alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024. Na ocasião, seus principais sócios, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como “Pandora”, e Silvio Luís Ferreira, conhecido como “Cebola”, tiveram mandados de prisão cumpridos. A Prefeitura de São Paulo rompeu os contratos com as empresas e determinou intervenção nas operações.
O inquérito também apura possível omissão ou conivência de oficiais de alta patente da PM, além de suspeitas de vazamento de informações e alertas ignorados sobre a participação de policiais da Rota, considerada a tropa de elite da corporação, em atividades ligadas ao PCC. Um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) teria alertado Coutinho ainda em 2021 sobre indícios do esquema, o que aumentou a pressão interna e levou à exoneração de outros coronéis ligados à Inteligência e à Corregedoria.
Apesar do contexto, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que não há relação entre a saída do comandante e a investigação. Segundo ele, Coutinho possui “reputação ilibada” e a decisão de deixar o cargo ocorreu por motivos pessoais, dentro de critérios técnicos adotados pelo governo. A defesa do ex-comandante também nega qualquer envolvimento no caso e sustenta que ele não teve acesso completo ao inquérito.
A troca no comando marca um momento de instabilidade dentro da Polícia Militar de São Paulo, ao mesmo tempo em que abre um capítulo inédito na história da corporação com a nomeação de sua primeira comandante-geral mulher.












