Quase dez meses após abrirem uma investigação comercial contra o sistema brasileiro, os Estados Unidos voltaram a direcionar críticas ao Pix, reacendendo o debate sobre possíveis medidas contra a ferramenta de pagamentos instantâneos. A menção mais recente ocorreu em um relatório publicado em 31 de março pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que lista o que o país considera barreiras comerciais em mais de 60 nações.
No documento, o Pix aparece em um único parágrafo ao longo de mais de 500 páginas, mas com pontos considerados sensíveis. Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil “criou, detém, opera e regula o Pix”, e haveria preocupações de empresas americanas sobre um suposto tratamento preferencial ao sistema. O texto também destaca que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a oferecer o Pix, o que, na visão de representantes dos EUA, poderia prejudicar fornecedores estrangeiros de serviços de pagamento eletrônico.
A reação do governo brasileiro foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a soberania do país sobre o sistema ao declarar que “o Pix é do Brasil” e que não haverá mudanças por pressão externa. O tema também ganhou repercussão internacional: o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do modelo brasileiro e sugeriu, em publicação nas redes sociais na segunda-feira (6/4), que a iniciativa fosse adotada em seu país.
A investigação aberta pela USTR em julho do ano passado, que apura se o Pix configura uma prática desleal, segue em andamento e ainda não tem prazo para conclusão. Enquanto isso, especialistas avaliam que, caso os Estados Unidos avancem, as medidas possíveis incluem a aplicação de sanções comerciais, tarifas ou restrições a produtos e serviços brasileiros. No entanto, qualquer ação dependeria de comprovação de prejuízo às empresas americanas e poderia gerar disputas em instâncias internacionais, ampliando a tensão entre os dois países.











