Waldir Teis exonera 16 servidores citados em investigação de R$ 75 milhões no TCE-MT

O novo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Waldir Júlio Teis, determinou a exoneração de 16 servidores que aparecem na investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de irregularidades financeiras na instituição. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial de Contas nesta terça-feira (3 de novembro de 2026), no mesmo dia em que Teis assumiu a presidência do Tribunal. Os servidores ocupavam cargos comissionados e funções estratégicas na estrutura administrativa da Corte.

A relação inclui nomes de integrantes dos setores jurídico, financeiro, administrativo e de assessoramento da Presidência. Entre os exonerados estão Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, que exercia a função de Consultor Jurídico-Geral; Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico; Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência; Roseli Loss, chefe de gabinete do conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida; e Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente. Também foram exonerados Adjair Roque de Arruda, Carlos Alexandre Pereira, Carlos Felipe Oliveira Almeida, Carlos Romeu Rodrigues Medeiros, Edson Luiz Ribeiro de Oliveira, Eneias Viegas da Silva, Jocimauro Bento do Carmo, Maurício Marques Júnior, Márcio Antônio Silvério, Olavo Lage Filho e Vitor Turri Romano.

Segundo informações divulgadas sobre a decisão judicial, cinco dos 16 servidores tiveram a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). São eles Grhegory Maia, Gustavo Fernandes da Silva, Felipe José Glinke, Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes. Os outros 11 foram atingidos por medidas cautelares, incluindo afastamento das funções públicas, proibição de acesso às dependências do Tribunal e restrições de contato com outros investigados. O Primeira Página informou ainda que, considerando os demais atos administrativos, o total de exonerações chegou a 18, sendo duas de servidoras que não tiveram seus nomes mencionados na investigação policial.

As exonerações são um desdobramento da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro de 2026, com autorização do STJ. A investigação apura suspeitas de irregularidades na administração de contratos, pagamentos a servidores e movimentações financeiras envolvendo integrantes da cúpula do TCE-MT. De acordo com os investigadores, uma das frentes apuradas envolve a suspensão de contratos administrativos sob a justificativa de dificuldades orçamentárias, que teria sido utilizada para pressionar fornecedores e favorecer determinadas empresas.

Outra linha de investigação envolve suspeitas de pagamentos irregulares e de um esquema conhecido como rachadinha, com possível circulação de recursos fora dos procedimentos convencionais da folha salarial. Conforme os dados financeiros apresentados na investigação, foram identificados R$ 75,85 milhões em movimentações consideradas suspeitas durante um período de 294 dias de 2025. Entre os valores mencionados estão créditos bancários atribuídos a conselheiros e servidores, além de saques recorrentes em dinheiro vivo. A apuração também aponta retiradas milionárias realizadas em uma agência do Sicoob instalada nas dependências do próprio Tribunal.

A investigação aponta que o então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, teria realizado 150 saques que totalizaram R$ 15,64 milhões. Desse montante, R$ 15,47 milhões teriam sido retirados diretamente no caixa da instituição financeira. A chefe de gabinete Roseli Loss também aparece nos levantamentos, com movimentações de R$ 3,52 milhões em retiradas, enquanto Adriangelo Barros Antunes teria movimentado R$ 2,28 milhões. Os investigadores apuram ainda a possível utilização de mochilas para transportar parte dos valores em espécie.

Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Foram mobilizados mais de 180 policiais federais. Entre os materiais apreendidos estão aproximadamente R$ 4,36 milhões em dinheiro brasileiro, além de valores em dólares, euros, libras e pesos argentinos, 31 veículos, 167 relógios, 16 armas e 112 garrafas de vinho. O STJ também autorizou medidas de sequestro patrimonial que podem alcançar R$ 145 milhões em bens relacionados aos investigados.

Com a mudança no comando do Tribunal e as exonerações publicadas, a instituição inicia uma nova etapa administrativa em meio às investigações. Waldir Teis assumiu a presidência após o afastamento de Sérgio Ricardo, preso preventivamente durante a operação. Outros integrantes da cúpula do TCE-MT também foram afastados por determinação judicial.

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