Caixas recheadas de dinheiro em espécie, veículos de luxo e uma coleção de relógios de alto valor estão entre os materiais apreendidos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29 de outubro de 2026), durante a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). As imagens divulgadas pela corporação mostram grandes quantidades de cédulas, inclusive armazenadas em caixas de arquivo no porta-malas de um veículo, além de relógios de marcas internacionais e automóveis importados.
A operação também resultou na prisão preventiva do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida. Segundo informações divulgadas pela imprensa nesta quinta-feira, outras cinco pessoas foram presas: a secretária-executiva Roseli Loss, o servidor Adriangelo Barros Antunes, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e os advogados Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. As diligências integram uma investigação mais ampla sobre possíveis irregularidades administrativas e financeiras relacionadas à Corte de Contas.
Ao todo, mais de 180 policiais federais foram mobilizados para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e incluem o afastamento de sigilos e o sequestro de bens. Os investigadores buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a origem dos recursos e eventuais vínculos entre o patrimônio apreendido e as condutas investigadas.
De acordo com a Polícia Federal, uma das linhas de investigação apura indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como forma de pressão sobre empresas fornecedoras. Também são investigadas possíveis diferenças nos pagamentos feitos a empresas contratadas, eventual tratamento privilegiado na liberação de recursos públicos e movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo servidores. Saques recorrentes em dinheiro vivo também estão entre os pontos analisados pelos investigadores.
As fotografias divulgadas pela PF registram cédulas de dinheiro reunidas sobre mesas e guardadas em caixas, além de veículos das marcas Audi e Mercedes-Benz e relógios de fabricantes de luxo. Apesar da repercussão das imagens, a corporação ainda não havia informado oficialmente o montante total apreendido, a avaliação individual dos veículos ou o valor consolidado dos relógios. Também não há confirmação pública suficiente para atribuir todos os bens encontrados a um único investigado.
A investigação busca esclarecer se os materiais apreendidos têm relação com possíveis crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A análise dos documentos, das movimentações bancárias e dos demais objetos recolhidos deverá contribuir para determinar a origem dos recursos e a eventual participação individual dos investigados. Como a apuração está em andamento, as suspeitas ainda dependem de comprovação, e os envolvidos têm direito à presunção de inocência.















